02/01/2018 às 17:05
OUTRO CENÁRIO

Findamos 2017 e, no palco de 2018, descerram-se as cortinas para o desfile de enredos, personagens, músicas, danças e canções.
Há no ar e no chão do teatro, uma pergunta a nos causar calafrios: O que se apresentará nesse palco onde até o momento só desfilaram enredos de grande turbulência, enormes deficiências, gritantes diferenças?
Há um enredo onde cenas de cegueira impedem que seja visto o outro e suas necessidades. Há um enredo onde personagens surdas e mudas não dialogam sobre assuntos que possam interessar à plateia. Há um desfile de enredos trazendo latente a maior das deficiências: a deficiência ética e moral, das quais resultam tantas outras deficiências doloridas: fome, sede, miséria, trabalho, cultura, saúde, ternura, verdade, preconceito, etc., etc., etc.
Há um enredo de sandice tamanha que, em certas cenas, misturam-se figurantes e plateia, cenário e vida real, mocinhos e bandidos, ou talvez seja urgente que isto se misture para sairmos da sandice.
Em 2018, no entanto, é preciso que se possa construir outra realidade. É preciso que nós, plateia, tenhamos claro o que realmente nos aproxima e nos separa enquanto plateia e enquanto personagensque desfilam no palco e, num arroubo de consciência, tenhamos coragem de tomar o palco, rasgar os panos do cenário insano e retirar de cena as tantas deficiências, reinventar o enredo, reinventar a vida.
Em 2018 é urgente que entendamos que a vida é um presente e devemos ter compromisso em fazer dela uma caminhada de felicidade, não no futuro apenas, mas no momento presente, assumindo-nos como senhores de nosso destino e pessoas capazes de lançar um olhar humano para esse pobre mundo tão necessitado de humanização.
Que em 2018 possamos construir outro cenário, onde o amor seja partilhado, onde entre em cena o pão na mesa, a água na boca, o sorriso nos lábios, a doçura no coração.
 

Comentários

Nenhum Comentário. Deixe o seu comentário!

Mais posts de Guiomar Terra dos Santos