22/02/2018 às 09:54
COM OS OLHOS DO CORAÇAO

Guiomar Terra Batú dos Santos

“Temos a arte para não morrer da verdade”. Nietzsche

Tempos modernos! Ah... tempos modernos! Ah...contemporaneidade! Tempos do reinado da superficialidade e do supérfluo; do domínio da loucura sobre a razão; da superação da sabedoria pelo senso comum. O avanço tecnológico, a ciência, não trouxe a cura, não suplantou a fome, não aproximou as pessoas, mas aumentou a desumanização, o individualismo e a solidão humana.
Contudo, é maravilhoso viver. Mesmo não sendo possível isolar a alegria da tristeza, é possível manter a doçura no coração, a ternura fraternal para com a vida e para com os viventes, a esperança latente e caminhar, caminhar por entre nuvens e sóis nos dias, e nas noites, de braços e abraços com a lua.
Como viver a vida assim, total, intensa, leve, sem deixar que os lamentos sufoquem os risos, sem que capitulemos frente às adversidades? Fico com a receita de Nietzsche: “Temos a arte para não morrer da verdade”.
A arte é sensibilidade. Pela arte abrem-se horizontes libertários, instala-se a alegria, ampliam-se visões de mundo, de interpretação da vida, de construção de um mundo humano, onde a felicidade é possibilidade.
Diz-nos Morin, que “A vida é polarizada entre a prosa – coisas que fizemos para sobreviver – e a poesia – que nos faz florescer.
Aqui nas Missões, temos um florescimento artístico invejável. Não há rua, bairro, rincão sem um músico, um cantor, um poeta. Muito vasta é a produção literária e musical, e isto precisa ser entendido, compreendido, estudado, admirado. Este será o objetivo de minha coluna semanal nesse nosso jornal A Notícia, onde aos sábados, vamos ler e comentar com o coração, poesias de poetas de renome ou não, de temáticas livres, do regionalismo gaúcho, nativistas, etc., para juntos, nos embriagarmos da essência e da beleza de nossa literatura, nesse constante canto de vida e desejo de viver por inteiro, já que o poeta é um mediador da esperança. Também conversaremos sobre a vida em crônicas e contos, neste descortinar quotidiano.
Pela arte, olhamos a vida com os olhos do coração, torna-se possível viver a vida de maneira comprometida e leve, e não se morrerá da verdade. Gosto de olhar o mundo com os olhos do coração e nossa escrita é resultado disso. Faz-se necessário, no entanto, leitores que leiam com os olhos do coração, ou nada fará sentido, como carinhosamente expressa Cecília Meireles “De que serviu tecer flores/ Pelas areias do chão/ Se havia gente dormindo/ Sobre o próprio coração?”.
 

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