10/05/2013 às 16:06
Conversa com Manuel Bandeira

Admiradora incontida
de teus versos, Manuel Bandeira,
fico pensando, quando dizes:
“Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei”.
Então imagino minha Pasárgada...

Em minha Pasárgada, Manuel Bandeira,
o céu não terá mais estrelas,
os bosques
não terão mais flores.
Haverá apenas
flores e estrelas
e gente capaz de vê-las.

Em minha Pasárgada
os corações não doem
nem de tristeza,
nem de mágoa,
nem de solidão.
Lá é crime desfazer-se
um só sonho,
uma só ilusão...

Em minha Pasárgada, Manuel Bandeira,
nunca terei vontade de me matar.
Não verei gente com fome,
tantas barrigas tão grandes, tão vazias,
tantos olhares tão vazios,
tantas mãos tão vazias,
porque os corações não serão tão vazios.

Ah, e o mais importante:
em minha Pasárgada,
não precisarei chamar a mãe d’água
pra me contar histórias.
Terei colo de minha mãe
para repousar a cabeça
e ouvir suas histórias
tão antigas, tão amigas...
Meu bom Manuel Bandeira.

Guiomar Terra Batu dos Santos 

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