27/09/2018 às 09:15
DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO

 

Tudo o que vivemos em sociedade, o crescimento ou não das artes, das letras, das ciências, da tecnologia, da economia, bem como saúde, educação, trabalho, riqueza, fome, etc. são resultado de ações políticas explícitas ou implícitas, de relações interpessoais, sociais, internacionais.

            A vivência da política, a forma como a concebemos, a acompanhamos, a praticamos e nela nos engajamos, é reveladora de posições mais ou menos avançada, mais ou menos democrática, mais ou menos reacionária, mais ou menos autoritária.

              A democracia, em sentido pleno, não é conquista fácil e faz-se necessário fazermos com que ela se inicie pelo nosso entorno, com as pessoas com as quais estabelecemos relações, quer sociais, quer de trabalho. Respeito e democracia precisam andar juntos. Mais importante que belos discursos sobre ela, é internalizá-la, é saber ouvir as pessoas, o clamor de suas dores, suas verdades, ajudando-as, pelo diálogo problematizador, a vislumbrar horizontes mais distantes, talvez mais verdadeiros, indo além do senso comum. Para isto, é preciso que tenhamos coração e mente abertos, e, sobretudo, é preciso dizer não a todo tipo de autoritarismo. Como ensina Paulo Freire: “Como posso dialogar, se me fecho à contribuição dos outros, que jamais reconheço, e até me sinto ofendido com ela? Como posso dialogar, se temo a superação e se, só em pensar nela, sofro e definho?”.

O enriquecimento democrático e não ações que inviabilizem e desqualifiquem a política precisa ser compromisso de todos, porque o desmantelamento da democracia pode representar um retrocesso de dimensões desastrosas.

          Cabe aos educadores viverem a democracia na práxis da escola, tendo presente que esta só se concretizará pelo engajamento, pelo comprometimento dos cidadãos e que todas as mudanças que sonhamos e que sonharmos só serão possíveis através da democracia, através da política. No Brasil, nunca teremos transformações por nenhuma revolução, povo ordeiro e passivo que somos. Há que se aprender na escola, que avanços sociais são resultado da organização das pessoas, que o povo nunca recebe nada sem lutas. Há que se aprender na escola, que não podemos descrer da política, julgar todos os políticos crápulas e corruptos e que de nada adianta fazer política. A escola precisa ser o lugar onde se aprenda a esperança. Sobretudo, têm os educadores, como intelectuais que são, ou deveriam ser, o dever de não levar ao aluno as próprias frustrações, descrenças ou verdades falseadas, quando, por vezes, não são feitas leituras profundas e contextualizadas do presente e do passado.

           Reafirmamos que a democracia é compromisso de todos, nela residindo nossa esperança, e ninguém tem o direito de semear desesperança entre os jovens. A democracia que vivemos é como a boneca russa de nome Matrioshka, que tem um bebê, dentro de si, de nome Trioshka, que tem outro bebê, dentro de si, de nome Oshka, a qual tem outro bebê, dentro de si, cujo nome é Ka. A democracia é assim. Está eternamente gestando e sendo gestada. É uma boneca que enquanto cuidamos e embalamos, embalamos a vida.

 

GUIOMAR TERRA BATÚ DOS SANTOS

            

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