29/11/2018 às 13:05
FRONTEIRAS

 

LETRA: Silvio Genro

 

As fronteiras não existem

Além da mente da gente

São conceitos que insistem

Em nos fazer diferentes

As fronteiras cedo ou tarde

São verdades que nos mentem.

 

Fronteiras são desafios

Pra que a gente se encontre

Ora se fingem de rio

Ou marcas no horizonte

São o espaço vazio

Entre o abraço das pontes.

 

As linhas imaginárias

Que toda fronteira tem

São porteiras ilusórias

Pra quem vai e pra quem vem.

 

Entre a fé que se perdeu

E a paz que a gente procura

Fronteiras são linhas frágeis

Entre a razão e a loucura

Num voo de asas ágeis

Contrabandeando ternura.

 

O canto não tem bandeira

Quando cumpre a sua parte

Ninguém limita os sonhos

Que cada verso reparte

As fronteiras não existem

Na geografia da arte.

 

Fronteiras é uma magnífica letra de Silvio Aymone Genro, natural de Uruguaiana. De escrita sensível e socialmente engajada, está entre os maiores poetas do regionalismo gaúcho. A gravação que conheço é do Grupo Parceria. Trago esta letra à baila, para termos a felicidade de sorvermos, individualmente, de seu significado.

Em tempo de individualismo exacerbado, em que, cada vez mais, nos afastamos uns dos outros, pois sempre enxergamos o que nos afasta e não o que nos aproxima, nossa igualdade como humanos seres, a letra nos mostra que fronteiras só existem em nosso pensamento, nossos conceitos e preconceitos.

Para os poetas, não existe fronteira alguma. Os versos, carregados de ternura, cruzam todos os espaços, pois ninguém limita o sonho que cada verso reparte, nem o desejo de coletivo, de abraço fraterno entre todos os povos, todas as gentes e nada justifica a segregação. A arte tem a grandiosidade de ser universal e atemporal - as fronteiras não existem na geografia da arte.

Que eliminemos todas as fronteiras reais e imaginárias, e que nada impeça o abraço que nos une.

 

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