22/02/2019 às 16:57
PONTO DE ESTRELAS

Letra: Renato Schorr

Música: Rubilar Ferreira
 
O nevoeiro se debruça
Sobre a terra Guarani
E da lua em despedida
Esvaindo a luz de si
Ficaram soluços largos
Nos amargos que sorvi.
 
Volte a lua, volte o sol
Com luzes que deixem ver
Nos olhos de minha amada
Outro tempo pra viver.
 
A noite se achega mansa
Para estender o seu manto
Cerzido a ponto de estrelas
Todo bordado de encantos.
As águas do rio carregam
As lágrimas do meu pranto.
 
Brota, na alma, a saudade
Porque o amor quer assim.
Eternas são as lembranças
Desses romances sem fim.
As brumas quando se afastam
Levam as mágoas de mim.
 
Ponto de Estrelas está no CD do Segundo Canto Missioneiro. O autor do poema letra, Renato Schorr, é santo-angelense. Tem diversos livros publicados em prosa e verso. Rubilar Ferreira é músico e intérprete brilhante,vencedor de diversos festivais de música nativista gaúcha.
 
Renato Schorr é um poeta múltiplo: por vezes verseja a história, noutras vezes seus versos são minados de ironia fina, mas o que o caracteriza mais densamente é a linguagem espontaneamente, naturalmente metafórica, de modo que tanto nos poemas, quanto em textos em prosa, as figuras de linguagem sobejam. Este perfil pode ser sentido no poema em pauta, Ponto de Estrelas, onde o autor desfila versos românticos, distribuídos com rigor estético – estrofes com seis versos (sextilhas), de sete sílabas poéticas (redondilha maior).
 
O poema se inicia situando as entranhas de onde surge: a terra guarani. Na sequência, de forma intimista, mergulha em instantes cingidos, onde o eu-poético comunga sentimento e natureza em cada instante.
 
Há uma noite calma que “se achega mansa”. Uma bela noite de céu estrelado: “cerzido a ponto de estrelas”, “bordado de encantos”. A beleza da noite, contudo, não impede a infelicidade do apaixonado ser que conta com as águas do rio que “carregam as lágrimas do meu pranto”.
 
E “a lua em despedida, esvaindo a luz de si”, despede-se. É o instante nostálgico da noite e do eu-lírico do poeta, um gaúcho que, na madrugada, sorve o chimarrão, tão amargo quanto o silêncio nascido da solidão: “nasceram silêncios largos, nos amargos que sorvi”.
 
Conclui o poeta, que todo romance sem fim, deixa saudade e lembranças, mas “as brumas se afastam e levam as mágoas de mim”. Resta desejar ardentemente, clamar aos acordes do violão, que os dias passem, que “volte a lua, volte o sol” para que encontre “nos olhos da amada, outros tempos pra viver”.
 
Outros tempos pra viver? Para o poeta, que seja um tempo feliz com sua amada, e um tempo de muitos silêncios largos para ver um céu cerzido a ponto de estrelas e fazer nascer novo sol, novo luar, uma nova realidade à humanidade. Parabéns pela belíssima obra, Renato Schorr! Grata por sua amizade!
 
GUIOMAR TERRA BATÚ DOS SANTOS
 
 
 
 

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