11/06/2013 às 10:31
DIA DOS NAMORADOS

Talvez uma das datas comemorativas mais esperadas do ano, seja 12 de junho, o Dia dos Namorados. Como toda data festiva tem uma origem, também esta data tem sua história.

Conta-se que na Grécia Antiga, homenageava-se Juno e Lupercus, considerados protetores dos casais. Em 15 de fevereiro, havia uma grande festa, onde era celebrado o ritual da fertilidade. Neste ritual realizava-se a passeata da fertilidade. Os sacerdotes caminhavam pelas ruas e, para garantir fertilidade, batiam nas mulheres com relhos de couro de cabra.

Em Roma, o imperador Cláudio II, acreditando que os solteiros eram melhores guerreiros, proibia que se casassem durante as guerras. Um bispo chamado Valentim, realizava os casamentos em segredo, tendo sido condenado à morte. Na prisão, Valentim casou-se secretamente com a filha de um carcereiro cega, acontecendo o primeiro milagre de amor de Valentim – a devolução da visão à moça cega.

Valentim foi executado em 14 de fevereiro, sendo considerado mártir pela Igreja Católica e, dia 14 de junho passou a ser celebrado dia de São Valentim e Dia dos Namorados, sendo, na Idade Média esta data a marca do primeiro dia do acasalamento dos pássaros.

No Brasil, a origem da data tem um viés comercial. O publicitário João Dória, em l949, trouxe, do exterior, a idéia de homenagear os casais apaixonados em 12 de junho, véspera do dia de Santo Antônio, o casamenteiro. A data romântica, sugestiva de presentes entre os apaixonados, aqueceria o comércio em baixa na época.

Mas, cá entre nós, o que faz com que, neste mundo atual, de tanto materialismo e tão pouco sentimentalismo, continuemos cultivando o dia dos namorados sem o banalizar?Verdade é que a data aproxima os casais, independente de idade, crenças ou classe social. Parece que todos os casais são tomados de uma ingenuidade romântica, que faz com que todos, queiram agradar seus pares, colocando o melhor vestuário, usando o melhor perfume, oferecendo o melhor presente.

Neste dia, parece que a magia do amor de Valentim ou o cio do acasalamento dos pássaros aproxima os casais. Traz novas emoções, renova paixões, aflora deslumbramentos. De repente faz-se uma pausa no ritmo do tempo para contemplar a pessoa amada, para com ela projetar sonhos de futuro ou para avaliar o caminho percorrido.Acho que namorar é isto mesmo. É de vez em quando tirar um momento para o zelo, para a afeição, para o bem querer, para a magia dos encontros e reencontros, de encantos e reencantos. É tirar um momento para sentir o amor.O amor, que se busca a vida inteira, pois toda pessoa que está só, está incessantemente buscando a afeição de alguém, o abraço, um coração aberto, um olhar que lhe envolva, um suspiro novo, um passo para caminhar junto no descompasso da vida.

Para Platão “o amor é o desejo de algo que não se possui”. Atrevo-me a dizer que tenhamos cuidado com os namorados, com o amor, enfim. Amor não pode nunca ser posse. A posse sufoca o amor. O ser humano é um pássaro que quer liberdade. A liberdade, o bater de asas do pássaro, multiplica a saudade, coloca um vazio bandido, dolorido na alma, faz ouro perder o brilho, torna pálida a luz do sol, vazia e prolongada a escuridão da noite, esconde o brilho das estrelas, faz com que o ser humano não tenha outro desejo que não seja o bater asas de volta ao ninho. Como Valentim, deixemos sempre os olhos do outro aberto para a luz, pois as pessoas não podem ser possuídas, limitadas, acorrentadas. O amor é para abrir os horizontes.

Também é relevante o cuidar. O tempo que dedicamos a nossa rosa é o que faz ela tão importante. O amor é uma flor a ser regada todos os dias. Não dá para se sentir dono do outro para sempre após tê-lo conquistado. Vida a dois é conquista diária. É tirar tempo para uma palavra macia, um abraço, um aconchego, um carinho. É isso que aproxima quando o ritmo quotidiano faz tudo para afastar as pessoas.

O amor é assim. É conviver no carinho e no respeito. É muito, muito, diferente da paixão, chama violenta, arrebatadora que é intensa, mas breve. Diz Vitor Hugo que “ para casar a pessoa deve escolher alguém com quem goste de conversar. No fim de nossas vidas, o que resta de dois namorados é o carinho, o aconchego e as longas horas de conversa, de silêncio e cumplicidade lado a lado.

Neste 12 de junho, tiremos um momento para namorar, cortejar, olhar diferente para o outro. É preciso ter razões para viver, quem ama tem mil razões para isto. Não esqueçamos: Namorar, não é ser dono do outro, não é anular o outro, mas sim querer o outro feliz, ser feliz ao nosso lado.
Quem não tem namorado ou namorada, continue buscando. É aí que está o brilho da vida. Parabéns a todos os namorados!

Guiomar Terra – Professora, colaboradora do Jornal A Notícia.



 

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