14/12/2012 às 19:53
Luz no breu: a Coruja

Muitos são os animais usados com sentido místico, simbólico, mitológico. Simbologias que usamos em nosso quotidiano, mas que têm origem em nossos antepassados, em antigas civilizações.

A águia, por exemplo, é o símbolo da transformação do ser humano; o sapo é o símbolo da fartura e da boa sorte.

A coruja é um a animal que carrega em sua figura a mais rica, variada e fundamentada simbologia, entre diferentes povos, culturas e crenças. Uma das tradições antigas ensina que comer carne de coruja pode transformar a pessoa em clarividente, pode dar-lhe os poderes de prever o futuro. Na Índia, o consumo de carne de coruja tem poderes afrodisíacos. Na Catedral de Notre Dame, os franceses conservam a escultura de uma coruja e quem nela passar a mão esquerda terá para sempre felicidade e sabedoria. Na mitologia grega, Athena, a Deusa da Sabedoria, carregava consigo uma coruja, que a ela revelava verdades invisíveis, o oculto.

Mas, vindo para nosso chão missioneiro, na tradição guarani, o espírito Nhamandu, o criador, utilizou a forma da coruja para criar a sabedoria.

Para compreendermos o significado da coruja, no entanto, temos que assumir posições de coruja, ou seja, temos que ser capazes de ver além do real, além do físico, além da ave, além do que dela se diz, além do medo; temos que ser capazes de ver na totalidade.

Com suas unhas grandes e afiadas, a coruja alimenta-se de insetos, limpa a noite para receber o dia. Seus grandes olhos e ouvidos, faz com que ouça o que os outros não ouvem e ver o que os outros não veem. Com sua cabeça, que gira sobre o corpo (270º) numa imponente postura, olha e analisa de todos os lados, de todos os ângulos.

Sua luz é tamanha que não teme as trevas. Em permanente vigília, atenta e sensível, penetra na sombra, faz da noite amiga, mistura-se à sua brisa, ao seu silêncio, embrenha-se em sua magia, identifica seus movimentos, capta o claro e o oculto, e sobrevive com a serenidade de quem sabe o que faz por que conhece a totalidade, por que à noite, não dorme como o os outros, mas usa a noite tão propícia para reflexão.

Assim, é a coruja, o símbolo da busca pelo conhecimento; da sabedoria, por sua capacidade de enxergar através da escuridão; uma sabedoria fruto da reflexão racional sobre os fatos e da intuição; sabedoria fruto da arte de perscrutar, de ter olhos de punhais para sangrar a noite, descobrir o oculto e conviver com a verdade.

Assim, sejamos nós, Equipes Gestora! Cuidemos da Escola como a coruja cuida a noite, enxerguemos o que os outros podem não estar vendo.

Tenhamos ouvidos grandes para ouvir todos os que nos procuram e entendê-los com o coração; sabedoria para compreender o que os outros às vezes não compreendem; serenidade para os momentos difíceis; discernimento para entender que a razão da escola é a busca do conhecimento; cuidado e ternura para, junto ao conhecimento, formar cidadãos criativos, humanos, perspicazes, sábios, como as corujas. Luz no breu!

Sigamos corujando todos juntos.

Guiomar Terra dos Santos – 12.12.2012 Texto produzido para trabalho pedagógico com diretores eleitos gestão 2013-2015

Comentários

Mais posts de Guiomar Terra dos Santos