08/05/2013 às 11:06
O cara novo na cidade

Ouço o som vindo da sala, um cara com uma voz engraçada está tentando explicar alguma coisa. Só não consigo entender direito, pois o barulho do ventilador não deixa, mas não posso desligá-lo: Meu café ainda está aqui na direita, muito quente.

Você pode achar graça em saber que o cara está tomando um café de frente pro ventilador. Esse é meu vício. Há quem diga que é por isso que eu prefiro o inverno. Mas não é por ai, no inverno vocês mulheres são muito mais lindas.

Óbvio que eu admiro uma mini-saia, pernas e umbigos de fora, cerveja, piscina e talicoisa. Mas se o verão fosse um prato não teria espaço nele para o mistério, assim como não há para um legume em tortas de bolacha. E a curiosidade é que nos move.

É simples notar esse comportamento. Veja como a loja que está com jornais na vitrina chama mais a atenção; como a pessoa que você não conhece é tão mais interessante; como os caras novos na cidade são sempre os mais bonitos. Depois eles perdem o mistério, mas ai o estrago já está feito.

É tão mais legal tomar um vinho com os amigos envolto a uma lareira, e saber que todos olham para o fogo com uma avidez impar assim como os apaixonados olham para a lua e sentem que seu par, onde quer que esteja também o faz.
Talvez nem seja preciso dizer nada. Apenas olhar até o vinho secar ou o fogo apagar.

Enfim, se eu pudesse definir o inverno diria que ele é o forasteiro da cidade - o único desses que eu não odeio- que aparece todo o ano para relembrar que com imaginação até aquela voz lá na sala ganha graça.

Ah, o cachecol. Ah, as bochechas rosadas. Ah, o café.
Ah, o café!

 

 

Graduado em Biomedicina, com habilitação em Patologia Clinica. Plantonista no Hospital de Caridade de São Luiz Gonzaga. Editor e dono do blog Madruguei Desatinado (www.madrugueidesatinado.blogspot.com).

Email: gunthersott@hotmail.com

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