25/09/2017 às 17:40
Intervenção militar?

Jauri Gomes de Oliveira – Deputado Emérito

Nos últimos dias, tenho acompanhado pela internet as manifestações de um grupo que defende a intervenção constitucional no governo do Brasil. E até mencionam um artigo da Constituição Federal que prevê essa possibilidade em casos especiais. O problema é saber se o povo concordaria com isso.
Em 1964, havia manifestações semelhantes e, então, aconteceu o que todos sabemos, quando foi anunciado pelo Marechal Castelo Branco de que a intervenção seria por um ano. Só que essa intenção foi desconsiderada pela linha dura do Exército e lá ficaram os militares, cassando mandatos prendendo e fazendo “eleições” em que a oposição ao regime era “proibida” de vencer, sob pena de cassação do mandato de alguns até que o partido do governo tivesse maioria garantida. E aí, então, vieram os prefeitos nomeados (interventores) nas capitais e nas chamadas áreas de segurança; veio a censura à imprensa e vários tipos de arbitrariedades, torturas, prisões, etc.
Agora, começam a surgir movimentos semelhantes aos do passado como a famosa “marcha da família com Deus pela liberdade” que virou golpe. Esses movimentos querem agora que as ruas peçam o General Mourão. Vejam bem: as ruas, e não as urnas... Estas, sim, poderiam dizer, no voto secreto e direto, o que o povo deseja na realidade. Se bem que está mesmo muito difícil escolher entre os que se apresentam.
É também verdade que o povo demonstra descontentamento com o governo atual, mas daí a deduzir que a população aceita golpe dos sem votos é outra coisa, até mesmo porque parece que os militares não desejam contrariar a Constituição e se mostram impotentes diante de fatos como, por exemplo, os da Rocinha no Rio de Janeiro, para onde foram envidas tropas para ajudar o governo estadual na luta contra o tráfico.
Toda essa problemática com suas consequências funestas são fatos lamentáveis. Servem, porém, para observação e reflexão antes de decidir. Parece que, por lógica, que, quem, se mostra impotente diante de uma favela e seus problemas, não se credencia para governar o País com problemas idênticos e outros até maiores que esses.
 

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