16/10/2017 às 17:10
Alma missioneira

Jauri Gomes de Oliveira – Deputado Emérito

O título e o conteúdo deste texto são a forma de este articulista homenagear três figuras públicas que, dentre outras, tanto nos causam orgulho e admiração.
Com A alma atada na gaita, ou Quem canta refresca a alma e Não é à toa, chomisco, que sou de São Luiz Gonzaga, Luiz Carlos Borges, Cenair Maicá e Jayme Caetano Braun traduzem, respectivamente, o profundo sentimento poético e artístico que lhes embala a alma.
De forma poética e generosa, esses três artistas missioneiros conseguem reunir em verso e harmonia musical, o sentimento que os inspira e o trabalho de sintonia com sua terra e sua gente. Assim, o resultado é um trabalho que encanta a todos pela simplicidade e universalidade que a música permite expressar.
As homenagens que esses artistas têm recebido de nossa gente são por demais merecidas. Com a “alma atada na gaita”, o coração de gaiteiro de Luiz Carlos Borges expressa seu apego por sua gaita ao despedir-se da “missioneira paisagem” quando a “velha São Luiz Gonzaga ficou na luz das retinas”. As figuras de linguagem são tão oportunas e a melodia do chamamé tão inspiradora que emocionam a todos que ouvem esse Coração de Gaiteiro.
Da mesma forma, “Quem canta refresca a alma”, pois “cantar adoça o viver”. Assim ensina Cenair Maicá em seu Canto dos Livres, uma mensagem libertária de fé e humanismo. Ao escolher a música como sua companheira, Cenair manifesta seu profundo sentimento de amor à poesia quando diz que “No cantar de quem é livre/Hay melodias de paz/Horizontes de ternura/Nesta poesia de andar”. Esse missioneiro é realmente um dos grandes orgulhos desta região. Pena que se foi tão cedo.
E quando de novo citamos o conhecido refrão “Não é à toa, chomisco, que sou de São Luiz Gonzaga”, criado por Jayme Caetano Braun, temos a exata medida da grande homenagem que o maior dos pajadores do nosso tempo faz a seu torrão natal.
São Luiz é realmente um verdadeiro manancial de artistas ao que costumo acrescentar “e um viveiro de mulheres bonitas”. E isso tanto é verdade que até agora não ouvi nenhuma voz dissonante. Por tudo isso, minh’alma se emociona, pois também sou missioneiro de São Nicolau, a primeira querência do Rio Grande, aquela que, segundo Jayme, “quando foi fundada, o Uruguai dera vau”, quando ele afirma que “Nem se fundara o Rio Grande,/Nem o lendário Viamão/Pago era céu e chão/Coxilha, várzea e perau/Já o Uruguai dera vau/Numa apoteose bravia,/E o Gaúcho antenascia/No velho São Nicolau!”.
Agradeço a esses grandes poetas e músicos por essa bela arte e harmonia musical.
 

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