31/10/2017 às 09:48
Longevidade: causas e efeitos

Jauri Gomes de Oliveira – Deputado Emérito

Com certa frequência, tenho avaliado, principalmente com contemporâneos, as causas e os efeitos da longevidade. As causas têm avaliações diferentes, mas quanto aos efeitos, em geral concordamos (por experiência pessoal), pois isso é quase unanimidade.
Tenho sustentado que as causas da longevidade e da mortalidade infantil têm muito a ver com saúde, educação e criminalidade, e é só dar uma olhada nos índices de vários países sobre esses dois temas. Quanto aos efeitos, qualquer idoso sabe responder. Eles são sentidos em proporção direta ao tipo de vida de cada pessoa. Alguns mais ativos, com menos sequelas e com hábitos mais saudáveis ao longo da vida, sentem menos os temidos efeitos da longevidade. Em número bem mais reduzido estão aqueles que chegam às nove décadas ou mais em plena posse de toda sua capacidade intelectual e, mais raros ainda, das físicas também.
Na verdade, quando se traz à tona o assunto longevidade, é preciso considerar que a humanidade sempre externou seu desejo de imortalidade. Nas mais diferentes culturas, esse sonho sempre ficou implícito. Com o fim de trabalhar esse desejo, foram desenvolvidas técnicas complexas que trazem a possibilidade de longevidade sempre maior, e isso, de certo modo, realimenta a utopia da imortalidade. Porém, o problema não é apenas durar muito, mas o que fazer para que o prolongamento da vida não se torne um peso ou uma tortura. Penso que, para vivermos uma vida qualitativamente boa e digna na velhice, é preciso bem mais do que a simples longevidade.
Nesse caso, então, surge a necessidade de observar alguns hábitos (que devem pautar a vida desde o início da 3ª idade) dentre os quais se incluem: alimentação saudável, prática de exercícios físicos, caminhadas, convivência social prazerosa, atividade ocupacional, participação social e comunitária, envolvimento cultural, enfim, tudo aquilo que possa espantar o estresse e a depressão tão comuns nessa fase da vida. Sem falar também que fumo e álcool devem ser evitados e automedicação também é um perigo. Tudo isso, é claro, pode ou não trazer bons resultados, mas depende muito da forma como os idosos encaram a vida e como convivem com a ideia da morte e do envelhecimento.
É evidente que uma pessoa de mais de oitenta anos já começa a encontrar algumas dificuldades nas atividades cotidianas, como vestir-se, calçar sapatos ou tênis, dirigir veículos, ouvir com nitidez e até mesmo fazer a barba (no caso de homens idosos) ou cortar as unhas. Até para caminhar, tomar banho e realizar as mais simples tarefas diárias, as dificuldades são crescentes. Mas isso é esperado...
É preciso, no entanto, não esquecermos de que o envelhecimento ativo é uma aspiração que estimula o viver. Isso, porém, em grande parte depende das condições sociais e das políticas públicas que garantam os direitos dos idosos e possibilitem práticas de saúde. Em cidades maiores, é até mais fácil encontrar grupos de convivência, ginástica dirigida e passeios orientados. Essas atividades sempre proporcionam momentos de descontração e com a segurança de que as atividades feitas em grupo tendem a proporcionar momentos de alegria e envolvimento emocional o que é vital para o equilíbrio e bem-estar das pessoas.
Ainda falando nos efeitos da longevidade, é comum a grupos de pessoas que já viveram muitos “verões” falaram em doenças, em sintomas e nas dores que costumam atormentá-las. Falam também das traquinices e das virtudes dos netos, principalmente. E, nesse tema, poucos conseguem escapar dos reiterados e requentados assuntos. Mas isso também faz parte da condição de ser avô ou avó. Afinal, quem não gosta de contar as proezas de seus netinhos?
Falta dizer, porém, que um ponto é comum a todos que chegam à fase senil da vida: todos querem viver bastante, mas com saúde, e sem criar problemas aos familiares. Particularmente, de nada posso queixar-me, pois tenho muito a agradecer a familiares, funcionários e amigos. E sobre o tema, particularmente é isto o que penso: em relação às causas, eu ACHO que sei quais são; sobre os efeitos da longevidade, porém, os meus 86 anos (bem vividos) me dão a CERTEZA de conhecê-los, tanto por vivê-los, quanto por ouvir relatos de situações análogas. Mas vou parar por aqui, antes que me chamem de repetitivo, outro dos efeitos da “melhor idade”.

 

Comentários

Nenhum Comentário. Deixe o seu comentário!

Mais posts de Jauri Gomes de Oliveira