28/11/2017 às 10:31
Falando de ditaduras

Jauri Gomes de Oliveira – Deputado Emérito

Sem participar dela, tive oportunidade de ouvir uma discussão de cunho político entre três rapazes, e cujo tema era o projeto do governo federal batizado Minha Casa, Minha Vida. Dois desses rapazes são oriundos de famílias de certo nível econômico e, como diríamos, são “bem de vida” e o terceiro é de origem mais humilde, isto é, como se costuma dizer, “um pobretão” e empregado assalariado.
Os dois primeiros entendem que esse programa serve para sustentar vagabundos que conseguem a casa para vendê-la em seguida. Seria, em resumo, o mesmo que acontece no caso da reforma agrária. Foi aí que o terceiro jovem se manifestou para dizer que, sem esses programas, seria muito difícil aos pobres a aquisição de uma propriedade por pequena que fosse, tanto na área urbana como na rural. Considerou também que, se o fato de alguns venderem sua casa servir de desculpar para acabar com o programa, então teriam que acabar também com o direito de herança, já que muitos que recebem terras e outros bens por esse meio também os vendem ou os dilapidam de outra forma.
Nesse ponto, a conversa esquentou, e os dois primeiros concordavam que o pobretão era um comunista recalcado e que seria necessária uma intervenção militar para acabar com a roubalheira. Aquele terceiro jovem que me pareceu ter alguma leitura nessa área, redarguiu e afirmou que antes de defender golpes militares ou de outro tipo, deveriam ler sobre o que aconteceu nos anos das duas ditaduras que o Brasil já sofreu, com torturas e mortes e censura da imprensa, exatamente para que o povo não soubesse o que acontecia nos porões nauseabundos e infectos.
Não consegui ouvir a sequência da conversa, mas tive vontade de sugerir a leitura de alguns livros. Um deles é o de Antônio Carlos Rousselet, sobre o que aconteceu com imigrantes alemães e italianos durante a ditadura de Vargas. O outro é o de Teotônio Villela, sobre a ditadura militar nos anos 60. Por prudência, não quis entrar na discussão com os jovens, mas deixo aqui essas duas sugestões de leitura. Por certo, quem fizer isso, vai obter boas informações a respeito de tema tão candente.
 

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