19/02/2018 às 17:32
O privilégio é sempre revoltante

Jauri Gomes de Oliveira – Deputado Emérito

Espero que meus leitores desculpem pelo título escolhido, mas qualquer tipo de privilégio, principalmente o que acontece na vida pública é revoltante. Mais que revoltante, é repulsivo. É nauseante.
Para avivar um pouco a memória dos que não lembram ou, desavisadamente, ainda não se deram conta disso, vamos citar algumas situações que causam esse tipo de reação nas pessoas comuns, nos contribuintes, nos que costumam pagar seus impostos em dia, enfim, no cidadão e na cidadã.
Esses casos são veiculados diariamente pela imprensa que, felizmente, tem liberdade para informar o que vem acontecendo como, por exemplo, a concessão de auxílio-moradia para juízes e parlamentares, mesmo que tenham residência própria na cidade em que exercem suas funções. Além desse absurdo, é interessante também observar o caso dos parlamentares e governadores, em que os primeiros recebem aposentadoria proporcional ao tempo de atuação e os outros se aposentam com salário integral com apenas quatro anos de mandato.
Penduricalhos com diversos apelidos, digamos assim, falam de salários ou estipêndios que chegam a ultrapassar os cem mil reais (R$100.000,00) mensais. Isso é o que já foi divulgado pela imprensa, imaginem o que ainda não o foi.
Algumas correntes políticas silenciam sobre isso e costumam fazer críticas mordazes a programas governamentais como “Mais Médicos” e “Bolsa-família”. Na esteira de todo esse descalabro que virou a vida pública de nosso País “deitado em berço esplêndido” os aposentados do INSS, a cada aumento do salário mínimo, têm suas aposentadorias rebaixadas, se considerarmos a quantos mínimos ficam reduzidos. E isso acontece justamente quando estão velhos, doentes e cada vez mais pobres...
Enquanto isso, os nababos dos três poderes se refestelam no dinheiro fácil... Eles deveriam dar o exemplo do cuidado com o erário, com o dinheiro do povo. Mas isso nem lhes passa pela cabeça embriagada pelo uso do dinheiro que tilinta em sua conta bancária todos os meses, o do super-salário e o das mordomias avantajadas, tipo auxílio-moradia, auxílio-viagens e outras.
Acredito que um bom começo seria vínculo salarial mínimo e máximo e isonomia entre os poderes. Seria esse um bom começo? Penso que talvez fosse um jeito de acabar com esses indecorosos privilégios...


 

Comentários

Nenhum Comentário. Deixe o seu comentário!

Mais posts de Jauri Gomes de Oliveira