19/03/2018 às 15:32
Motoristas e pedestres

Jauri Gomes de Oliveira – Deputado Emérito

Atendendo ao pedido de leitores desta coluna, abordo o mesmo tema em texto semelhante a outro que escrevi há algum tempo. Para responder a esse interesse, vou falar sobre aquilo que vejo, ouço e sinto sobre esse assunto. Pessoalmente, inclusive, vivi uma experiência bem assustadora. Vou tentar reproduzir o acontecido.
Dia desses, ao atravessar a Avenida Senador Pinheiro, na esquina do Museu que tem o mesmo nome dessa ilustre figura pública, e na faixa própria para pedestres, um motorista parou o carro e me deu passagem sinalizando que eu podia atravessar tranquilamente. Fiz isso tentando acelerar o passo e apoiado na bengala que passei a usar há alguns meses. Mas ao ultrapassar – no sentido sul/norte – o carro que parara para me dar preferência na faixa,outro veículo surgiu pela direita do anterior e, por muito pouco, não me atingiu. “Cantou” pneus e “se mandou” com velocidade no mínimo acima da permitida. Literalmente.
Nesse momento, percebi - da pior maneira possível – que, mesmo quando se recebe sinal de passagem, não dá para confiar plenamente. Mas é preciso que se diga também, que não são apenas os motoristas que cometem essas perigosas faltas. Há muito pedestre que abusa de sua condição. Quando o motorista, de forma educada e consciente, para antes da faixa e garante a passagem do pedestre, alguns, em vez de apressar o passo, ao contrário, o diminuem, parecendo desfilar e, muitas vezes, até continuam a consulta ao celular ou olham para outro lado com ares de quem comprou aquela faixa para uso pessoal. Por essa e outras é que o trânsito em nossa cidade se tornou um perigo potencializado pelos descuidos e desmandos de uns e outros.
Já escrevi aqui, em outra oportunidade e sobre este mesmo tema, que preferência não é propriedade, mas o direito de passar primeiro. Daí a diminuir o passo, parece sugerir que o pedestre se sente “o dono do pedaço”. Evidentemente, essa atitude atrapalha bastante, embora os pedestres devam ter garantido seu direito de ir e vir. Quer-me parecer que os condutores se sentem mais seguros quando os pedestres colaboram mais apressando o passo ao cruzarem a faixa ou aguardando para passar somente depois que os veículos pararem antes da faixa. Assim, muito stress pode ser evitado de todos os lados.
Além disso, a desobediência à sinalização é enorme e – repito! – não há que se culpar estes ou aqueles, pois vários atos de irresponsabilidades e contravenções de todo tipo ocorrem cotidianamente e vão desde estacionar em vagas destinadas a idosos ou cadeirantes até o desfile de pedestres na faixa ou o avanço dos carros sobre essa “reserva” destinada aos caminhantes. Capítulo especial deve ser observado em relação aos motoqueiros que, em alguns momentos, parecem apressados demais. É claro que isso não diz respeito a todos, mas é bom registrar nossa preocupação.
 

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