12/11/2012 às 01:17
Minha Querência

É com imenso prazer que cedo meu espaço, nesta coluna, para divulgar alguns textos que foram produzidos pelas minhas alunas da 8.ª série, da E.E.E.F. Dr. Mário Vieira Marques – CIEP, com o intuito de participar da primeira etapa de seleção da 3.ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa “Escrevendo o Futuro”.

Nos meus tempos de guria, tudo parecia mais fácil e, de fato, o mundinho onde eu vivia era menos complicado: havia pouquíssimos rios poluídos, quase não se via lixo acumulado em terrenos e pátios, nem tínhamos de morar próximo a traficantes ou usuários de drogas. Na verdade, era um lugar bom de se viver. Agora está tudo diferente: há pouca segurança no bairro, mais armas nas ruas e muita gente morrendo: morrendo de fome, morrendo de dor, morrendo de vergonha, morrendo por falta de vergonha, morrendo por falta de força de vontade, morrendo de medo…

Contudo, o lugar onde vivo não se resume a isso. Às vezes, paro para refletir e fico pensando que, nesse mesmo local cheio de problemas, existem também muitas coisas boas como, por exemplo, escola perto de casa, posto de saúde aberto à comunidade, quadra de esportes, vizinhos companheiros para todas as horas e o mais importante: amigos unidos e verdadeiros.

Apesar de todos os problemas típicos das cidades pequenas, costumo dizer que aqui, no interior do Rio Grande do Sul, é um lugar bom para se viver, não é igual à cidade grande em que só se vê prédios e mais prédios, engarrafamentos no trânsito e poluição. No local onde habito, há uma grande diversidade de pássaros, árvores de várias espécies, ar puro e um céu azul tão límpido, que parece ter sido retirado de uma aquarela.

No inverno, nada se compara à deliciosa sensação de comer bergamota, após o almoço, lagarteando sob o sol, que parece brilhar com mais intensidade sobre os pampas gaúchos.

Em cidade grande, é tudo mais corrido, as pessoas mal se cumprimentam e não sobra tempo nem para fazer aquele pãozinho caseiro, que deixa um cheirinho saboroso por toda a casa.

Minha região, que faz parte da Rota das Missões, é conhecida também pelas comidas típicas e pelo tradicionalismo gaúcho, que tanto cultivamos, mas o melhor de tudo é que não abrimos mão de reservar um tempinho para prosear e tomar chimarrão, com amigos e vizinhos, nesse pequeno mundo mágico que é o meu cantinho. 

Por Luana Albres de Brum

Carioca, radicada em São Luiz Gonzaga; professora e revisora de textos; pós-graduada pela UERJ, com Especialização em Língua Portuguesa; bacharela e licenciada em LETRAS (Português/Literaturas), formada pela UFRJ. 

Comentários

Nenhum Comentário. Deixe o seu comentário!

Mais posts de Luciana Crespo Dutra