10/03/2014 às 14:43
“Gracias a la vida”

Como sabiamente definiu o filósofo romano Cícero, "a gratidão não é somente a maior das virtudes; é também mãe de todas as outras.” Mas, em que momentos nos percebemos realmente gratos?
O verbete gratidão vem do latim gratia que significa, literalmente, graça; ou gratus que se traduz como agradável. Por extensão, significa reconhecimento agradável por tudo quanto se recebe ou lhe é reconhecido.
O fato é que a vida corre e, na agitação do dia a dia, a praticidade se impõe, fazendo, muitas vezes, com que pequenos gestos de atenção e gentileza fiquem esquecidos, dentre eles as manifestações de agradecimento.
Na verdade, agradecer me parece uma arte. Afinal, quando se agradece, não basta a simples reprodução automática de palavras ou frases feitas; é preciso que os vocábulos proferidos tenham o viço da sinceridade e o fervor da verdade de quem agradece. E essa arte é feita, inclusive, de sutilezas e de afabilidade, já que o agradecimento não pode soar como uma obrigação nem pode conter a presunção dos que agradecem a contragosto.
Agradecer é como cantar, atuar, dançar, pintar ou esculpir: a alma de quem faz deve misturar-se ao ato de fazer. É doar-se em sinceridade ao outro; é reconhecer-lhe a importância pelo recebimento de algum favor especial e incomensurável, porque gratidão é a capacidade de reconhecer que alguém nos deu ou nos proporcionou algo generosamente.
Receber um agrado, uma ajuda ou um simples gesto de atenção é muito bom, mas melhor ainda é usufruir da deliciosa sensação de bem-estar proporcionada pela arte de agradecer.
Que bom será se pudermos continuar cultivando a arte de agradecer como o fez, magistralmente, a cantora e compositora chilena Violeta Parra, ao imortalizar a canção: “Gracias a la vida, que me há dado tanto...”
Então, que a gratidão seja o nosso maior erário e que a humildade possa estar presente não só nas horas de dificuldade, mas, principalmente, nos momentos de vitória.
E eu, prezado leitor, aproveito a oportunidade para agradecer, imensamente, o carinho e a generosidade de algumas pessoas que me foram essenciais num dos momentos em que mais precisei, há aproximadamente dois meses: Graci Coelho, Rosa Biermann Heck, meu marido Cícero Dutra, Neuzinha e meu sogro Samuel Dutra. Muito obrigada mesmo! 

Carioca, radicada em São Luiz Gonzaga; professora e revisora de textos; pós-graduada pela UERJ, com Especialização em Língua Portuguesa; bacharela e licenciada em LETRAS (Português/Literaturas), formada pela UFRJ. 

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