07/06/2018 às 09:59
Quem quer mudanças de verdade?

Ao acompanhar as manchetes, manifestações e frases de efeito nas redes sociais, rádio, TV, jornais, parece que a resposta é óbvia e que todos querem mudança. Todavia, se atentarmos aos detalhes e ao conteúdo, creio que somente as mudanças convenientes para cada indivíduo são desejadas. É um fenômeno social e bem conhecido, que vemos se repetidonum Brasil quenão sai da mesmice.
Sabemos que somente as mudanças estruturais podem salvar o Brasil. Desde que iniciou aredemocratização, os últimos 6 presidentes da república, incluindo o atual, prometeram mudanças estruturais como as reformas trabalhista, tributária, previdenciária e eleitoral, além de aumento de investimentos em educação e infraestrutura. Os candidatos que estão se apresentando também vão prometer o mesmo!
A legislação arcaica, truncada e por vezes subjetiva das áreas trabalhista e tributária impedem a criação de novas vagas de emprego e novos negócios, causam falência de negócios atuais, dificultam a inovação, a pesquisa e o desenvolvimento, prejudicando a competitividade e fazendo com que tudo fique ainda mais caro. Agora,procure lembrar como foram as tentativas e trâmites das propostas para alterações tributárias e trabalhistas dentro dos6últimos governose também no congresso. Lembre também quantas entidades e de diferentes representações mobilizaram suas forças e integrantes para barrar as mudanças.
A estrutura previdenciária atual é indigna para a maioria dos aposentados, é injusta e descabida para as minorias, é sabidamente inviável para o país e irresponsável com as gerações mais novas. Eu e meus filhos não teremos aposentadoria alguma, se não houverem mudanças urgentes. Se não lembrar como foram as tentativas dos governos anteriores, deves lembrar como foram as tentativas mais recentes de reforma da previdência, negociações no governo, no congresso, manifestações, etc. Todos sabem que precisa reformar, mas quem quer mudar?
A cada eleição ocorrem pequenas mudanças na legislação eleitoral, no entanto, sabemos que é preciso uma grande reforma eleitoral. Quem se mobiliza para isso? A classe política brasileira é possivelmente a mais contestada e mal falada da atualidade e a primeira vista, parece que todos querem mudanças, gente nova, novos partidos, novos candidatos, novas propostas, etc. Há 4 anos, logo após o escândalo do mensalão foram eleitos mais de 70% dos mesmos deputados estaduais, federais, senadores, governadores e presidente. Os 2 principais nomes da última eleição, Dilma e Aécio disputam acirradamente a liderança nas pesquisas eleitorais para o senado por Minas Gerais. Há 4 meses da eleição, a maioria dos nomes para a presidência da república são os mesmos das últimas 4 eleições!
Em nossas cidades, quais as mudanças desejadas? Em alguns casos são muitas. Quais delas tem verdadeiramente apoio da maioria da população, dos políticos, dos empresários, das lideranças de entidades? Para os cargos eletivos do seu município, quem teve mais chance de se eleger: quem tentou o 3º ou 4º mandato, ou aquele que tentou pela primeira vez?
Infelizmente só temos unanimidade para dizer que está muito ruim, mas poucos se definem pelas mudanças de verdade. É irracional e ilógico, querer resultados melhores, querer mudanças, rejeitando as reformas que estão em pauta há mais de 20 anos, assim como manter sempre os mesmos, escolhendo os mesmos nomes e as mesmas propostas. É por estas e outras que “mudança” sempre foi e será um argumento que elege muita gente, que depois, não consegue mudar nada.
Quem quer mudar de verdade?
Um abraço e até a próxima!

 

Administrador, Especialista em Marketing e Mestre em Engenharia de Produção.

É professor da Unijuí e convidado em diversas IES e sócio e consultor da Referenda Consultoria. Também é colunista de 9 jornais e revistas do interior do RS, blogs e newsletters e ainda é palestrante, pesquisador e escritor, com diversos artigos e 4 livros publicados nos temas planejamento, liderança, marketing e educação. 

Email: marcelo.blume@referenda.com.br

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