16/08/2018 às 08:11
E aí candidato?

 Chegou a campanha eleitoral, e muitos temas vêm a tona, com discussões que se afloram em diferentes campos. Alguns temas mais periféricos, outros mais centrais, quase todos de alguma forma representando os diferentes segmentos e correntes de pensamento da população, que agora pode escolher novos representantes.

Mais do que nunca, fica claro que precisamos de melhores representantes, mais comprometidos com o que é preciso fazer. Os resultados da economia são sempre consequência de decisões e ações, então, mais especificamente as propostas em relação as finanças públicas e ao desenvolvimento de negócios precisam ser temas centrais nestas eleições. Por este motivo, as entidades empresariais como FEDERASUL, ACIs e outras, estão propondo uma pauta para as lideranças comunitárias, associativas e empresariais desenvolvê-la sempre que houver oportunidade de diálogo com os candidatos. A burocracia, a carga tributária, a infraestrutura, o tamanho do Estado, empresas estatais, ajuste fiscal e previdência, são temas centrais que impactam diretamente nos negócios e, estes, na economia. Um candidato realmente comprometido com o futuro do Estado e do País, precisa ter uma posição clara sobre estes pontos.

A posição dos candidatos ao Legislativo é tão ou mais importante do que do Executivo pois da Assembleia, da Câmara e do Senado é que partirão propostas, assim como aprovação, alteração ou rejeição de propostas. A dívida pública aumentou muito nos últimos anos e tem afetado diretamente todos os tipos de investimentos. Quais as propostas do candidato que visitou a tua comunidade sobre este ponto? Temos tido menos de 3% das receitas correntes líquidas para investimentos. São estas receitas que podem ir para ampliação das estruturas de apoio a saúde, educação, estradas, segurança. O que os candidatos propõe sobre a distribuição do orçamento público?

A cada ano, aumenta o comprometimento de tudo o que se arrecada em tributos com a folha de pagamento dos servidores públicos, restando cada vez menos recursos e dificultando inclusive os compromissos com a própria folha. Para piorar muito esta situação, algo que é pouco divulgado é quando aumenta ano a ano o gasto total com servidores inativos e pensionistas, consequentemente reduzindo o que sobra para os servidores ativos. Não é a toa, que há anos os economistas fazem alertas sobre a situação que é insustentável. Olhando os números, só voto em alguém que tenha uma proposta clara e confiável para encaminhar a situação, que é das mais graves!

Considerando que os gastos com pessoal já ultrapassaram em muito o patamar do suportável pelas contas públicas, o que o candidato pretende propor para manter o Estado e o País funcionando? Considerando ainda que a carga tributária em vários casos é a maior do mundo e causa comprovada por estudos internacionais de falta de competitividade do Estado e do país, o que o candidato pretende propor para aumentar a atratividade de novos empreendimentos e a manutenção dos atuais?

O orçamento com educação pública tem uma proporção similar em relação ao PIB de países desenvolvidos e onde alcançaram índices exemplares de desenvolvimento social. Os baixos índices da educação brasileira devem-se mais a má utilização de recursos, má gestão, do que falta de dinheiro. O esforço se perde, não revertendo em qualidade na educação e nem acesso a quem precisa. Só vou considerar voto em candidatos que tiverem propostas claras para estes pontos. O que seu candidato propõe a respeito?

 

Um abraço e até a próxima!

 

 

Administrador, Especialista em Marketing e Mestre em Engenharia de Produção.

É professor da Unijuí e convidado em diversas IES e sócio e consultor da Referenda Consultoria. Também é colunista de 9 jornais e revistas do interior do RS, blogs e newsletters e ainda é palestrante, pesquisador e escritor, com diversos artigos e 4 livros publicados nos temas planejamento, liderança, marketing e educação. 

Email: marcelo.blume@referenda.com.br

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