03/11/2018 às 09:54
Expectativa e esperança

 Passadas as eleições, a expectativa começa a tomar conta dos Estados e do País. As expectativas sempre trazem algumas doses de angústia. Vivendo vários anos de miséria econômica, sucessivas frustrações e tamanhos escândalos como na última década há tantas expectativas diferentes no ar, que algumas são quase antagônicas.

Num país em que tem tantas necessidades não atendidas, com tantas expectativas diferentes postas sobre os eleitos, me parece óbvio que por melhores que se conduzam, é certo que uma parte será frustrada. Por outro lado, a expectativa de mudanças significativas após o 1º turno, e após os primeiros dias do 2º turno, já proporcionou melhorias importantes em indicadores econômicos como câmbio, bolsa de valores, ações de empresas estatais e este movimento, mostra o poder da esperança, pois com um volume maior de pessoas encorajando-se a realizar investimentos, efetivar contratos, e outras atitudes positivas, os efeitos positivos vão se multiplicando, mesmo sem que os eleitos façam algo concreto.

A esperança é daqueles fatores que movem a vida. Esperança de dias melhores para si, para a família e para o lugar onde se vive proporciona sonhos, mexe no dia a dia, trabalho, vida pessoal, empreendimentos e no caso da política, desde a estruturação de partidos, candidaturas, propostas, campanhas e votos. O conjunto de expectativas contribui em muito para a esperança em dias melhores, que por sua vez provoca uma onda de atitudes melhores nas pessoas e estas em suas casas, seus negócios, suas comunidades. É uma evidência de que precisa ficar cada vez mais claro, para um número cada vez maior de pessoas que as mudanças necessárias ao nosso País, estados e os lugares onde vivemos, virão das atitudes de quem vive em cada lugar.

A campanha eleitoral que acabamos de viver foi mais turbulenta nas redes sociais e um pouco nas mídias tradicionais, pois nas ruas, nas universidades, empresas, instituições, teve-se uma campanha bastante tranquila, sem poluição visual (cartazes, placas, muros pintados), sem poluição sonora (carros e motos de som), sem campanha de boca de urna, menos episódios de violência se comparado com outros pleitos, menos carreatas, menos embates no dia a dia das pessoas.A lei eleitoral auxiliou, mas a atitude de uma boa parte das pessoas também fez a diferença positivamente.

O país precisaria de um pleito muito mais qualificado, claro. Mas talvez é o máximo que foi possível para este momento. Infelizmente os estrategistas das campanhas deste pleito, inspirados em 2014 optaram por ainda mais ataques aos adversários ao invés de defenderem propostas para a solução dos muitos problemas vividos no Estado e País. Estas práticas determinam o comportamento do eleitorado mais atento as campanhas na mídia tradicional. A exploração de pontos fracos dos adversários, algumas vezes fatos, outras vezes, especulações, pode estar mais para incompetência dos estrategistas, que ao invés de valorizar suas propostas, procuram criar um monstro sobre o seu adversário, para que o seu candidato possa ser menos pior, o “anti” aquilo, e então, nos livrar do monstro. Este tipo de prática serve para esconder falta de propostas e pontos fracos reais, mas não auxilia o eleitor em suas decisões, nem o país a ter o melhor que poderia.

Passadas as eleições, nos cabe o respeito as autoridades eleitas e constituídas, mas especialmente a consciência de que são as atitudes de cada um que mudam o dia a dia e aumentam ou não a esperança em dias melhores. Pense na sua vida, na sua família, amigos, na sua comunidade, onde você trabalha e vive. Quem foi responsável pela maior parte do que está ao seu redor? Você e as pessoas que vivem ali, certo? São estes, que movidos pela esperança, precisam mudar de atitude.

Honestidade, respeito, coerência, integridade, gratidão, solidariedade começam comigo, contigo, nas nossas casas, nas nossas comunidades e de casa em cada, vão se espalhando até chegar nos poderes públicos. Eu espero menos da expectativa e mais da esperança e das atitudes que devem mover a todos em busca de dias melhores.

Um abraço e até a próxima!

Administrador, Especialista em Marketing e Mestre em Engenharia de Produção.

É professor da Unijuí e convidado em diversas IES e sócio e consultor da Referenda Consultoria. Também é colunista de 9 jornais e revistas do interior do RS, blogs e newsletters e ainda é palestrante, pesquisador e escritor, com diversos artigos e 4 livros publicados nos temas planejamento, liderança, marketing e educação. 

Email: marcelo.blume@referenda.com.br

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