26/04/2019 às 15:19
Que Deus nos proteja!
Há duas semanas, esta coluna circulou com o título “As reformas que o Brasil precisa” e fiquei muito feliz com a quantidade e a qualidade dos retornos recebidos. Para quem não leu ou não lembra, destaquei que o Brasil precisa realizar pelo menos cinco reformas para iniciar o desenvolvimento que se espera de um país deste tamanho e com as condições existentes, para oferecer melhores condições de vida para a sua gente. Reforma previdenciária, reforma trabalhista, reforma tributária e fiscal, reforma política, e a reforma do pacto federativo são as principais, as mais importantes e as que se tornaram urgentes todas ao mesmo tempo.
Quanto a Reforma da Previdência, me parece que as autoridades políticas, de situação e de oposição, se envolveram de tal forma num enredo mal escrito pelos que não se importam com a realidade da população e do país, que demonstram não conseguir mais distinguir o que é ficção do que é realidade. Os congressistas que deveriam nos representar precisariam discutir e votar objetivamente:
- os trabalhadores ativos que entrarão na regra de transição, devem trabalhar 2, 3 ou 5 anos além do que está previsto atualmente;
- quem entrará no mercado de trabalho a partir da reforma, vai contribuir para a previdência durante 32, 35 ou mais anos;
- quanto deve ser o teto (máximo a receber) de cada categoria, a partir da publicação da reforma;
- extinção dos privilégios existentes em algumas categorias;
- alternativas para aumentar a arrecadação da previdência, para ser sustentável e ainda desonerar a folha de pagamento para reduzir o desemprego;
 
            Diante de tantos discursos irresponsáveis, ilusórios e que afastam cada vez mais o país dos caminhos do desenvolvimento, arrisco-me ao convidar os amigos leitores para um exercício bem simplório, que talvez auxilie na objetividade da discussão. Se o trabalhador comum, da iniciativa privada, tem desconto mensal de 11% de seu salário para a previdência social e o empregador contribui com mais 20%, soma-se 31% para o caixa.Uma pessoa que iniciou a contribuição aos 21 anos, e manteve-a por 35 anos ininterruptos, se aposenta aos 56, gera um “saldo” que corresponderia a cerca de 11 anos (31% X 35 anos) da aposentadoria que vai receber, mantendo-o até os 67 anos (56+11). Considerando que temos uma crescente geométrica da população que passa dos 80 anos, é fácil entender que não há contribuição suficiente para a previdência bancar 25 a 35 anos de aposentadoria. Alguém está lembrando dos que não alcançam os 80, claro, mas temos que lembrar também daqueles que se aposentam sem ter contribuído com a previdência. Além disso, temos que lembrar que o País todo, especialmente o sul, está tendo uma redução da população em idade economicamente ativa, ou seja, dos que contribuem com a previdência.
Para além da ideologização das discussões, a criação de cenários ilusionistas transformaram um debate poderia ser bem objetivo, considerando que envolvem limites quantitativos, estatísticas e cálculos financeiros,em intermináveis discussões subjetivas que ofendem a inteligência de quem assiste. A dificuldade de apresentar propostas de solução objetivas por parte dos Executivos das últimas décadas talvez não foi maior do que as trapalhadas dos atuais. Estamos ávidos por soluções e alternativas para os itens falhos das propostas apresentadas e por isso classifico como a mais absoluta irresponsabilidade diante do caos, das lideranças que discordam sem apresentar alternativas, pois é a face mais cruel de quem põe os interesses particulares de suas eleições e de sua categoria, acima da vida das futuras gerações de seu país.
Lideranças lúcidas, cientes do poder de representação que receberam e minimamente responsáveis com o futuro do país estariam agora debatendo alternativas, que gerariam cenários futuros e votariam pelo que é melhor, independente de quem desejam que ocupe os cargos eletivos desejados.
 
Que Deus possa proteger os brasileiros!
 

  

 

 

Administrador, Especialista em Marketing e Mestre em Engenharia de Produção.

É professor da Unijuí e convidado em diversas IES e sócio e consultor da Referenda Consultoria. Também é colunista de 9 jornais e revistas do interior do RS, blogs e newsletters e ainda é palestrante, pesquisador e escritor, com diversos artigos e 4 livros publicados nos temas planejamento, liderança, marketing e educação. 

Email: marcelo.blume@referenda.com.br

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