10/07/2015 às 10:11
Esculturas que contam uma história

Visitar a Serra Gaúcha no inverno é sempre aquela experiência que nos faz sentir fora do Brasil, num lugar qualquer da Europa, vamos imaginar assim, na fantasia de fugir do lugar-comum. Tudo por ali sempre vale muito a pena, mesmo que não tenhamos a sorte de ver algum resquício de neve. Recentemente, estive por lá com familiares, para nos surpreender com um ambiente inédito: as belas esculturas do Parque Pedras do Silêncio, em Nova Petrópolis, linda cidade de cerca de 20 mil habitantes, que ganhou a denominação de “Jardim da Serra Gaúcha”. Situado entre Nova Petrópolis e Gramado, o lugar ainda vai dar o que falar, tendo sido inaugurado apenas em novembro do ano passado, contando a história da imigração alemã, através de 80 magníficas esculturas.
Essas obras em arenito estão dispostas em meio à vegetação nativa, representando profissões, costumes e tradições, além de enormes rostos de diversos pioneiros da imigração germânica na região. A maior obra, de cinco metros de altura e pesando 23 toneladas, é "Família de Imigrantes". O parque é muito bonito, cuidado e tranquilo, sendo aberto ao público de quinta-feira a domingo, com ingresso a R$ 10,00. Como tem menos de um ano, é uma atração a ser muito visitada, na medida em que for mais conhecida.
O ambiente alcança com méritos o seu objetivo, que é recontar, por meio de esculturas em arenito, a história do imigrante alemão à região de Nova Petrópolis. A estrutura é ótima, com estacionamento, orientação e acessibilidade, em meio a belas paisagens. O atento guia Valmor Heckler acompanha os visitantes, dando as devidas informações sobre cada escultura. Para planejar o parque, foi realizada uma demorada pesquisa a cargo de um historiador local. Parte da mata foi preservada, com oportuno acesso por caminhos pavimentados, o que facilita a locomoção, mesmo para cadeirantes.
As esculturas são de autoria de Cristóvão Hullen, Carlos Rodrigo de Azevedo e Rogério Bertoldo, que levaram quatro anos para concretizar esse trabalho, seguindo um mesmo estilo. Todos os visitantes concordam que é um passeio fascinante e muito bem informativo. Ou melhor, um roteiro imperdível para quem está na região. Fica na chamada Linha Brasil, no Km 13 da RS-235, que liga Gramado a Nova Petrópolis. No meio desse percurso há uma placa indicando que o parque está situado a 500 metros.
Anotei no meu caderninho que Nova Petrópolis foi fundada em 7 de setembro de 1858, por imigrantes alemães oriundos da Pomerânia, Saxônia, Boêmia e do Hunsrück, dos quais descendem a maioria dos seus habitantes. Descubro que essa cidade é também o berço do Cooperativismo de Crédito da América do Sul. Em 1902, foi fundado, pelo padre suíço Theodor Amstad, o modelo cooperativo que deu origem ao Sistema de Crédito Cooperativo, que propagou-se pelo País inteiro. No Parque Aldeia do Imigrante, encontra-se, entre outras atrações, o Museu da Cooperativa, que existe até hoje, sob o nome de Sicredi Pioneira.
Admirando a beleza das esculturas em pedra de Nova Petrópolis, que contam uma extraordinária trajetória, não pude deixar de imaginar algo assim como contar a história dos 7 Povos das Missões através de esculturas, com o talento do Vinícius Ribeiro e a certeza de que seria a alavanca certa para São Luiz Gonzaga dar a tão esperada maioridade ao turismo. É sonhando grande, como Nova Petrópolis fez, que podemos alcançar as melhores realizações no lugar que amamos.
 

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