11/09/2015 às 09:42
O que dizer por aí

Em duas ocasiões, nos anos 70 e 80, eu morei no Menino Deus, que era um dos mais tranquilos bairros da Capital gaúcha e onde se situava a Editora Globo, um dos meus locais de trabalho. Diante do assassinato do dono da padaria da Avenida Getúlio Vargas, no ato prosaico de passear com seus cachorros, pensei no que era um oásis de um passado nem tão distante. E fica aqui a nossa obrigação de reescrever, com as tintas mais tristes, a história do simpático bairro, agora inseguro como toda Porto Alegre, como todo o Rio Grande do Sul, para dizer o quanto os governantes andam fracassando e nos colocando numa redoma de frustração e engano, inércia e medo.
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Mais uma comemoração da Revolução Farroupilha vem aí e penso nos motivos dessa guerra que durou 10 anos, diante do que ocasiona o caos atual no nosso Estado, com cofre raspado, servidores sem receber, insegurança campeando, saúde pela hora da morte e estudantes sem aulas sabe-se até quando. Motivos demais para outra revolução.
Enquanto isso, lá no Planalto, com a máquina paquidérmica, que gasta demais e nos deixa a conta descarada, os mandaletes só pensam em aumentar tributos, como se o Brasil já não fosse campeão mundial de impostos. Fingem tão bem pensando que o povo aceita qualquer ilusão.
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Nos meus escritos e através desta coluna, sempre aconselhei a evitar clichês e lugares-comuns, diante do que reza a melhor literatura, como bem sabe a amiga Ivone Avila, que também segue essa norma dos bons prosadores. Por isso, meu espanto ao descobrir que Graciliano Ramos defendia a utilização dos clichês e lugares-comuns, em crônica que saiu no livro “Garranchos”, reunindo textos inéditos do romancista alagoano, em edição da Record.
O autor de “Vidas secas”, que tinha fama de irritadiço, registrava, em 1920, já com seu estilo cortante: “Atacam por aí o lugar-comum. Não sei por quê. Sendo comum, deve ser conveniente ao público – e não valem contra ele as opiniões de alguns cavalheiros que não são comuns. Se me dão licença, declaro que tenho predileção especial pelos clichês (...). E precisamente pela sensação de preguiça que experimentamos lendo frases bombásticas, simpatizo com certos autores de clichês. Sem eles, jornais e livros se tornariam, depressa, intoleráveis”.
O que dizer sobre o trajeto do prosador admirável?

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O jovem são-luizense Alex Duarte vai participar, como palestrante e escritor na VII Bienal Internacional do Livro de Alagoas, de 20 a 29 de novembro. Estará lançando seu primeiro livro duplo, "Somos todos Cromossomo 21", obra que deu origem ao seu filme “Cromossomo 21”, que vai estrear nos cinemas do Brasil em 2016, e "Do diagnóstico a independência - jovens com síndrome de down no caminho da autonomia". No momento, Alex reside no Rio de Janeiro, atuando como diretor de marketing do Instituto Tânia Zambon.
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Outro são-luizense que também estreará em livro é o agrônomo Floriano Isolan, com o volume “Acontece no Mercado”, reunindo contos ambientados no Mercado Público de Porto Alegre. É lançamento da Editora AGE, com a chancela do escritor e professor Paulo Flávio Ledur.
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Buenos Aires, como bem sabemos, tem os problemas e prazeres de uma metrópole moderna. Era a cidade adorada por Jorge Luis Borges, biografado pelo americano James Woodall em “O homem no espelho do livro”, em edição da Bertrand do Brasil, que leio no momento. Ali está a repulsa pelo ditador mais carismático da Argentina, Juan Perón. Trata-se do retrato oportuno de um escritor cuja magnífica capacidade de espantar e perturbar continua até hoje.

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Mais uma vez, com generosidade de amigo, Moisés Mendes cita este escriba na sua coluna de Zero Hora, na quarta-feira, dia 9. No texto “O leão e o macaco”, ele recorda a ocasião em que entrevistamos o domador Orlando Orfei, em Livramento, para o diário “A Plateia”, que então pertencia à rede de jornais fundada pelo saudoso jornalista José Grisolia. Orfei, que morreu em agosto, dizia que conversava com formigas, impressionando aqueles jovens jornalistas da metade dos anos 70. Depois, eu concluiria que isso era coisa de quem tinha alguma genialidade, como revelaria Jorge Amado, que costumava ir para o fundo do quintal e bater papo com o que chamava de “minhas formiguinhas”.
 

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