15/10/2015 às 17:02
O universo de Noely Luft

Poeta, artista plástica e fotógrafa, educadora, filósofa e autora de capas de livros, Noely Luft é multifacetada nas artes que se avizinham do seu universo, em Porto Alegre, onde também meteu-se no teatro. O desassossego continua, ela garante, entre oficinas, seminários e viagens pelo mundo.

Nascida em Cerro Largo, Noely veio ainda criança para São Luiz Gonzaga, quando a família fixou residência nesta cidade. Estudou na Escola Maria Mazzarello e no INSA. Em Porto Alegre, cursou Ciências Físicas e Biológicas na UFRGS, além de Biologia na UFPF. Lecionou em Santa Rosa e São Luiz, sendo ainda orientadora de projetos de pesquisa em Ciências que lhe permitiram grande realização profissional e pessoal.  


Foi pensando na formação da filha, que Noely mudou para Santa Maria. Após, em 1994, fixou residência em Porto Alegre, “feliz por estar numa cidade que oferece multiplicidade de interesses”, como disse na entrevista ao colunista. Frisou que “as diferentes ou diversas formas de expressar ideias, sentimentos e criação sempre me provocaram desassossego”.

Noely relembra que “eu tive um período de incubação ao direcionar essa inquietação inclusive para o teatro, quando fiz oficina no Multipalco do Teatro São Pedro”. Esse espírito libertário a levou para a Itália, em 1996. Na Università Per Stranieri Dante Alighieri, em Reggio Calabria, fez curso de língua italiana, convivendo com estudantes italianos e de outros países. Diz que “ainda viajei por diversas cidades italianas e escalei a “Isola di Vulcano”. 


Conta Noely que na Capital gaúcha, sonhou alto inspirando-se nos grandes talentos, como Xico Stockinger, Carlos Scarinci e Danúbio Gonçalves, fundadores do Atelier Livre da Prefeitura. Define esta como “uma escola de arte não-universitária para produzir, expor e pensar artes visuais, que foi um sonho acalentado que se tornou realidade”. Alguns professores que ela teve foram Tuca Sttangarlin (desenho e pintura) e Tânia Resmini (cerâmica). Atualmente, tem aulas com Ana Baldisseroto (expressão artística) e Ana Lovato (aquarela). 


Rememora Noely que, “quando comecei a pintar, queria inspiração nas obras de artistas que apreciava, mas não usar como modelo. Então entraram as fotos e me aproximei da fotografia. E o “olhar” foi se ampliando e se apropriou da poética. Na pintura, continua a ação recíproca: fotografo para pintar ou pinto a foto que me instiga. Acho que tenho em mim a vontade da descoberta. Se algo me desafia, por que não tentar? Assim, me parece que uma coisa leva a outra e se acrescenta”.  

Nas disciplinas da Faculdade de Filosofia, que cursa atualmente, Noely ressalta que “a poesia complementa a conclusão de trabalhos. Como capista, num dos livros usei a fotografia e no outro, pintura em aquarela.  Considero inspiração, também, ter na família pai escultor em madeira (o Mestre Balduíno Luft) e a irmã Ione, com expressão no desenho e na pintura”. Aqui, ela evoca Fernando Pessoa, lembrando que “se não ousarmos a travessia, ficamos à margem de nós mesmos”.  

Noely revela-se avó arteira ao ceder a sua casa para os netos Constanza e Vicenzo, com todo o espaço para suscitar a criação, com instrumentos musicais, livros, materiais para pintura e desenho. Sua outra paixão é a fotografia, com premiação em concursos nacionais. Ainda direciona sua atenção para uma Oficina de Poesia e Filosofia, coordenada por Izabel Bellini Zielinski, que aborda a intersecção da filosofia e a poesia na vida. Nesse terreno, são 11 anos de um trabalho reflexivo, de filosofar e poetar.

Noely Luft reúne poesias em dois livros: “Crack, nem pensar”, coletânea lançada na Feira do Livro de Porto Alegre, em 2010 , e  “O outro e a vida, poetizando a filosofia”, antologia com vários poetas, que teve lançamento na Feira do Livro da Capital, em 2014.  Ela rememora os “meus afetos missioneiros, o tempo, a saudade e a reaproximação. Participo da comunidade são-luizense em Porto Alegre, com os almoços, as confraternizações, redes sociais e, com isso, os laços se estreitam”. Não deixa de citar que mantém a assinatura do nosso jornal A NOTICIA. E é poetando que se despede: “Sou por onde vou/ Acrescida pelo entorno/ A quem pertencem meus poemas”. 

 

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