18/09/2017 às 15:07
JEITO DE SER

As maneiras exprimem a procedência do sujeito. Refletem origens, habitat. Ao abrir a boca, as cordas vocais vibram o sotaque característico. Bah! Tchê!
As cores do pavilhão rio-grandense relatam a história verde-amarela do pavilhão nacional, com o vermelho atravessado, símbolo de lutas, heróis e sangue. Firma-se o lema ao centro junto ao brasão.
Não se escolheu um dia para homenagear essa brava gente do garrão do país. Não bastava, pois ‘sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra’. Surge uma semana, Farroupilha, onde ruas se revestem de cores. Flores mil (a primavera, coincidentemente, desponta). Prendas com saias rodadas. Peões de bombacha. Escolas, piquetes, departamentos, CTGs enfatizam o amor a este chão.
Jeito de ser. A gastronomia, cada vez apurada e apreciada, se associa a padrões atuais. A diversidade de raças e origens misturam sabores. Neste entrevero surgem pratos coloridos e com gostinho de tradição. Churrasco presente. Não se esquecendo da hora da roda sagrada do chimarrão, com a verde erva-mate, dando boas-vindas a todos os visitantes.
Pares, conjuntos musicais, cantores cantam e dançam ritmos diferenciados. Miscigenação com os hermanos uruguaios e argentinos. São vaneiras, xotes, chamamés, valsas, chamarritas, milongas, bugios, rancheiras... Danças de salão e apresentações com todas as idades, batendo ponto.
No jeito de ser, letras contêm os símbolos legais. Cavalo e cavaleiro, dupla ímpar, desfilam, garbosamente, relembrando episódios antigos e permanecendo firmes na lida campeira. A capital gaúcha recebe a todos com o monumento ao Laçador.
A natureza entra em festa com o colorido dos ipês. O amarelo contrasta com o verde das demais arvores. Em outras estações do ano a macela, tímida, margeia rodovias e campos. O brinco-de-princesa, rica em néctar, dá mostras da delicadeza e elegância da prenda, tornando símbolo da flor do pago gaúcho. O grito dos quero-queros alerta que ‘esta terra tem dono’, com o sangue do índio, mistificado na figura de Sepé Tiaraju.
Os Centros de Tradições Gaúchas se espalham por todo o país e outras nações. O jeito de ser do gaúcho habita em outras querências, não olvidando sua procedência.
O jeito de ser sulino não se iguala a outros estados federativos. O traje típico, por lei, pode ser usado em quaisquer solenidades, não sendo autorizada sua saída do recinto.
O jeito de ser não engloba uma semana, mas uma vida inteira.
Após o ‘Ordem e Progresso’, surge o lema ‘Liberdade, Igualdade e Humanidade’. É o jeito de ser gaúcho.
 

Médica

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