27/02/2018 às 10:08
DESCER A MONTANHA

Uns subiram pelas próprias pernas. Outros já nasceram em berço de ouro, olhando o morro de cima, longe do pé dele.
A violência pode se apresentar da forma mais sutil como nestes tempos de tecnologias digitais com redes sociais, dando alimento a preconceitos ou ódios de classe, raça, gênero, política e intolerância religiosa.
A sociedade brasileira possa estar consolidando modos de vida cuja referência é fazer justiça com as próprias mãos.
Produz-se e promove-se violência tanto no espaço público como no privado de casas e empresas; interações diretas ou mediadas pela tecnologia.
Três fatores surgem nestes espaços de paz e guerra: ação e omissão do poder público. Nas periferias urbanas não há proteção, promoção e defesa de direitos, deixando estes espaços entregues a grupos armados, tráfico de drogas e toda sorte de violência, gerando desordem social. Por outro lado, em áreas nobres (alto da montanha), a presença do poder público garante direitos dos cidadãos e protegendo o patrimônio das elites. O segundo fator se relaciona ao poder econômico. Quem pode pagar segurança (lá em cima!) tem privilégios negados a outros cidadãos sem poder aquisitivo maior. A segurança deixa de ser direito para ser privilégio. O terceiro fator é o tratamento seletivo ao acesso à justiça. A maioria da população carcerária ainda não compareceu diante de juiz para julgamento.
A violência direta, aparentemente, é a mais letal. Exemplo disto é a crise socioeconômica dos anos 1980, com inflação e corrosão dos salários, havendo perda de rendimentos, principalmente, para os mais pobres, aumentando a desigualdade social. Também outros fatores concorrem, embora não se pode ignorar a influencia do fator socioeconômico.
Foi observada na primeira década deste século, uma diminuição da taxa de homicídios, paralelo ao Estatuto do Desarmamento.
A violência se mostra como um processo de produção e reprodução de desigualdades, resultante do funcionamento das instituições. Os danos são, em longo prazo, mostrando desigualdade de oportunidades ao longo da vida das pessoas. Um exemplo é a escolaridade baixa, tendendo a ocupações de menor remuneração, dando restrições econômicas. A pessoa não se alimenta bem, sem atendimento na saúde, aquisição de medicamentos. Não haverá redução de violência, a menos que as condições de exclusão sejam modificadas.
Diminuir distâncias, trabalhando firme na educação para todos; ensino médio exigido; os privilegiados da montanha desçam e encontrem condições de manter um diálogo humano, irmão, estendendo a mão à conquista de espaços onde, outrora, foram negados; ou mesmo,tomando conhecimento da existência de seres convivendo em ínfimas condições de vida.
Se você não quer descer até o sopé da montanha, pelo menos venha até a metade. Já está de bom tamanho para fazer algo em prol de seu bairro ou cidade. (baseado no texto da Campanha da Fraternidade ).
 

Médica

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