13/03/2018 às 11:29
VIOLÊNCIA HISTÓRICA

Será tudo natural?
Por violência cultural, se entende condições em que uma sociedade não reconhece atos ou situações em que pessoas são agredidas. São criados processos que fazem parecer como legítimas certas ações violentas. Da forma como a violência é tratada na mídia, se torna fácil associá-la à atividade criminosa, especialmente, ao tráfico de drogas e à corrupção. No entanto, estudos feitos a partir de inquéritos policiais, mostram uma grande proporção de assassinatos cometidos por impulso ou por motivos fúteis como ciúmes, desavenças entre vizinhos, desentendimentos no trânsito e outras formas de conflito, como se fossem as únicas formas de reagir a um problema específico. Este normal se converte em indiferença.
A violência cultural naturaliza as desigualdades, reduz ao silêncio as contradições da sociedade.
Na forma de construção das relações sociais no Brasil, se entende como algo natural, tendendo a tratar alguns sujeitos sociais como se fossem naturalmente inferiores como mulheres, jovens, idosos, trabalhadores, negros, índios, pessoas com diferentes orientações sexuais, pobres, imigrantes, migrantes.
Desde o período colonial, certas categorias de pessoas recebiam tratamentos diferenciados. O colonizador branco passava a ideia de ser superior a negros e índios. Este pressuposto de qualidades diversas é uma mancha que até nossos dias parece não ser superada.
Mesclam-se distinções sociais e econômicas, ao longo da história, formando uma sociedade hierarquizada baseada em relações de mando e subordinação, contrariando a igualdade de direitos e obediência às leis.
As políticas de governo contribuem para reforçar as relações de poder, consolidando acessos de privilégios para determinadas categoriais sociais.
O Brasil é país perigoso para os que lutam pela igualdade de direitos. Em 2016, foram assassinados 66 defensores dos direitos humanos, concentrando maior número de casos no norte e nordeste, sendo os conflitos por terra, a principal causa de morte dos ativistas.
É atribuída esta violência à instabilidade política, criminalização, esvaziamento político e financeiro de órgãos como o INCRA e a FUNAI.
Ao inviabilizar a formação dos mais pobres, continuam relações sociais pautadas na exclusão, autoritarismo e violência.
Ao dar condições de educação para todas as classes sociais, independente de quaisquer heranças culturais de indivíduos considerados inferiores, se faz uma nova cultura de paz, solidariedade, um mundo melhor para se viver. Então mais uma vez o refrão: é pela educação que um país se salva. (Baseado na CF 2018).

 

Médica

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