11/08/2014 às 09:00
Felipão de volta ao Grêmio

Com a demissão de Enderson Moreira na comissão técnica gremista, Grêmio ficou com algumas possíveis opções de treinadores para assumir o cargo, a primeira opção em mente da diretoria: Tite. Ex-treinador do próprio Grêmio quando o clube ganhou seu último título de relevância (a Copa do Brasil de 2001). Mas o agente de Tite recusou o convite alegando que o técnico ficaria na Europa até Outubro “pelo menos”, para realização de cursos melhorando sua capacidade técnica como treinador. Então, o Grêmio sondou Felipão. A primeira resposta foi: Não. Mas após a viagem de Fábio Koff (presidente gremista) a São Paulo para um almoço com técnico, ele não pôde dizer “não” novamente.
O técnico deve a Fábio Koff o seu voto de confiança em 1993, quando o Grêmio não realizou boa temporada ao seu comando. Sobre muita pressão da imprensa e da torcida, Koff pronunciou-se sobre a situação: “Ele só sai quando eu sair”. Na temporada seguinte, o Grêmio foi campeão da Copa do Brasil em seu comando, em 1995 da Libertadores da América e em 1996 do Campeonato Brasileiro, sem falar dos títulos estaduais. Luiz Felipe Scolari consolidou-se como ídolo gremista. E o Grêmio projetou o técnico para o mundo. Felipão deve isso ao Grêmio e a Fábio Koff.
Felipão assume um Grêmio 13 anos sem algum título de relevância nacional ou internacional. É um enorme peso. Enderson Moreira até citou em entrevista ao SporTV que todo treinador que chega ao Grêmio sente esta pressão, mesmo não fazendo parte da equipe gremista em todos esses anos que o clube ficou sem títulos. O contrato do técnico com o Grêmio é de dois anos e meio, ou seja, existe um planejamento para o Grêmio voltar a ser campeão. O caminho mais lógico e teoricamente fácil seria a vaga na Sul-Americana no Campeonato Brasileiro e lutar pelo título da Copa do Brasil, já que no Brasileiro Cruzeiro, Inter, Fluminense e Corinthians já estão despontando e a pontuação do tricolor não ajuda para a busca do título.
Desde o início do ano, tenho a opinião de que o Grêmio possui um bom elenco. No papel. Um bom time que brigaria pelo título da Libertadores, mas traduzindo-se em campo, pelo comando de Enderson Moreira, o time não desenvolveu um padrão de jogo. Muitas oscilações, partidas mal disputadas, e particularmente, em minha visão, um time que não conseguia concluir as jogadas. Esses fatores principais culminaram na derrota para o Internacional na final do Campeonato Gaúcho por 4x1 (uma das maiores goleadas sofridas no clássico) e na eliminação da Libertadores nas Oitavas-de-final para o San Lorenzo em casa.
Acredito que por tudo que Felipão conseguiu conquistar em sua carreira ele tenha capacidade de fazer um bom trabalho no Grêmio, ainda mais por sua identificação com o clube. As críticas de que ele “não serve” ou “está ultrapassado” não são válidas. Ele foi campeão da Copa do Brasil com o Palmeiras há dois anos. O futebol brasileiro está ultrapassado em si. Não sei se as críticas podem ou não afetá-lo, mas ninguém vai tirar dos livros de história o que ele já conquistou, e desta vez, recebe uma nova oportunidade no seu time do coração.
 

Acadêmico de Jornalismo - UNIJUÍ.

Email: vitorvwjornalismo@hotmail.com

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