16/05/2018 às 17:09
Comandante Regional da Brigada Militar visita São Luiz Gonzaga, um dos municípios da jurisdição do CRPO Missões

Com 32 anos de serviços prestados, Ana Maria Hass pertence à primeira turma feminina de oficiais da polícia do RS e é a primeira mulher a assumir o posto de coronel na Brigada Militar

Comandante Regional da Brigada Militar visita São Luiz Gonzaga, um dos municípios da jurisdição do CRPO Missões
Coronel Ana Maria recebida pelo comando do 14º BPM (Foto: Diomar Esteves/AN)
Na última quarta-feira, dia 16, esteve em São Luiz Gonzaga a comandante do Comando Regional de Polícia Ostensiva (CRPO-Missões), coronel Ana Maria Haas. Ela foi recebida pelo comandante do 14º BPM, major Franck Hernani Schweinitz, e pelo subcomandante em exercício, tenente Luciano da Rosa. Coronel Ana Maria veio conhecer de perto o Batalhão e a comunidade. São 32 municípios sob o comando do CRPO Missões. E os maiores são Ijuí e São Luiz Gonzaga, além de Santo Ângelo, cidade sede do CRPO.
A coronel Ana Maria atendeu a imprensa local e destacou que está acompanhando as necessidades de cada município. Segundo ela, trata-se de um grande desafio buscar junto ao Estado um maior efetivo nas corporações e também recursos e provimento de material necessário ao combate ao crime. Existe a possibilidade do retorno de aposentados, que saíram por questões econômicas adversas. Quanto à criminalidade em geral, que vem das grandes cidades e se espalha também nas Missões, a coronel salientou que os setores de inteligência e operações especiais estão trabalhando forte para conter este avanço.
A comandante coronel Ana Maria assumiu o CRPO Missões dia 19 de março. Ela tem 55 anos, é solteira e é formada em Educação Física pela Feevale de Novo Hamburgo, sua terra natal. Mudou-se para Porto Alegre em 1986, quando ingressou na carreira. Já galgou várias etapas, como tenente (prestando concurso ao oficialato), depois capitão, major e agora coronel. Ela pode chegar ainda ao grau máximo na Brigada, que é a patente de tenente coronel. Trabalhou em diversas áreas, enfrentando todo tipo de situação, como greves, manifestações, assaltos, etc. Foi comandante da Escola de Educação Física da BM, entre 2002 e 2003, e conselheira da mesma instituição de 2003 a 2005.
 
Carreira brilhante
Em 180 anos de história da Brigada Militar, a PM gaúcha foi a primeira mulher promovida ao posto mais alto da sua hierarquia. Ana Maria é a única coronel da instituição, que conta com outras 2.500 mulheres em diferentes postos – o efetivo total é de cerca de 20.000 policiais. Ana Maria esteve à frente do Comando de Órgãos Especiais (que chefia batalhões, supervisiona forças-tarefas em presídios e cuida do setor de aviação), em Porto Alegre. Com a promoção, Ana veio para Santo Ângelo liderar o CRPO Missões, que abrange 32 municípios próximos à região de fronteira com a Argentina.
“A gente sabia da responsabilidade. Dependia do nosso sucesso a continuidade das mulheres na Brigada Militar. Mas, se isso ocorreu, é porque a representatividade teve eco na instituição”, relembra a coronel sobre a sua turma de mulheres, que ingressou em 1986.
Naquela época, para serem aprovadas para a turma de oficiais, as mulheres precisavam ter ensino superior completo. Dos homens, não era exigida a faculdade. Atualmente, ambos os sexos precisam ter concluído o curso de direito para a carreira de oficial. Além disso, também não existem mais turmas específicas de mulheres e não há cotas nos concursos. “Se entrar mais mulheres do que homens, é assim que fica”, explica.
Se atualmente a instituição recebe mulheres com naturalidade, nem sempre foi assim. “No nosso primeiro alojamento, não tinha um local para estendermos as roupas íntimas. Não queríamos pendurar junto com as roupas masculinas no varal externo. Chegaram a falar que deveríamos usar cuecas. Mas isso não prosperou. A corporação queria nos acolher e instalou um varal no banheiro”, conta Ana.
A coronel menciona que no início, alguns homens criticavam a presença das mulheres. “Questionavam nossa capacidade. Depois de formadas, no início, o reconhecimento era menor. Se solucionasse uma ocorrência, o homem tinha mais destaque do que a mulher. Minha turma de mulheres combateu isso criando uma filosofia própria de trabalhar de igual para igual, de ter postura e se impor. É óbvio que a nossa força física é menor do que os homens. Mas tínhamos técnica, tínhamos inteligência. Queríamos representar as mulheres, trabalhando na rua, no policiamento”, relembra a coronel.
Com 32 anos de profissão, ela não cogitava chegar ao posto de coronel porque, inicialmente, as mulheres poderiam alcançar o grau máximo de capitão. Por isso, agora espera servir de estímulo para outras mulheres.
“Sempre fui respeitada pelos praças e nunca tive nenhum caso de insubordinação por ser mulher. Defendo o trabalho lado a lado porque juntos somos melhores”, disse.
Ana Maria já tem tempo para entrar para a reserva. O tempo limite máximo de 35 anos ela completa em fevereiro de 2021. Mas, se depender dela, parece que vai continuar por um bom tempo. Capacidade e vontade própria a coronel tem, o que é demonstrado ao longo de sua carreira.
A coronel Ana Maria faz um a pelo às mulheres que desejam seguir uma carreira de policial militar: “Só tenho a dizer que tenham a certeza que a mulher tem plena capacidade para atuar na carreira militar. Não é uma carreira fácil, pois trabalhamos diuturnamente com qualquer situação climática e, muitas vezes, arriscando a própria vida em favor da coletividade. Mesmo assim, vivendo as graves e sérias ocorrências você, mulher, irá se apaixonar por essa atividade”.
 

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