28/11/2018 às 07:57
Espaço Nativo

 

Chimarrão, a tradição do gaúcho

 

A palavra chimarrão tem origens no vocabulário português e espanhol. Do português marron, além de outros significados, quer dizer clandestino; em castelhano, é cimarrón, com idêntico significado. Do espanhol cimarrón, que significa bruto, vocábulo, chucro, bárbado, em quase toda a América Latina foi empregado, designando os animais domesticados que se tornaram selvagens. A palavra “chimarrão” foi também empregada pelos colonizadores do Prata, para designar aquela rude e amarga bebida dos nativos, tomada sem nenhum outro ingrediente que lhe suavizasse o gosto. Sabe-se que em tempos passados, o preparo e comércio da erva foram proibidos no Paraguai, nada que os impediam fazer o uso clandestinamente naquela colônia Espanhola.

chimarrão chegou a ser proibido no Sul do Brasil durante o século XVI, sendo considerado “erva do diabo” pelos padres jesuítas das reduções do Guairá. A partir do século XVII, no entanto, os mesmos mudaram sua atitude para com a bebida e passaram a incentivar seu uso, com o objetivo de afastar a população local do consumo de bebidas alcoolicas.

Roberto Ave-Lallemant (1812-1884), visitando o Rio Grande do Sul, em março de 1858, registra a importância folclórica do chimarrão: “O símbolo da paz, da concórdia, do completo entendimento – o mate! Todos os presentes tomaram o mate. Não se creia, todavia, que cada um tivesse sua bomba e sua cuia própria; nada disso! Assim perderia o mate toda a sua mística significação. Acontece com a cuia de mate como à tabaqueira. Esta anda de nariz em nariz e aquela de boca em boca. Primeiro sorveu um velho capitão. Depois um jovem, um pardo decente – o nome do mulato não se deve escrever; depois eu, depois o “spahi”, depois um mestiço de índio e afinal um português, todos pela ordem. Não há nisso, nenhuma pretensão de precedência, nenhum senhor e criado; é uma espécie de serviço divino, uma piedosa obra cristã, um comunismo moral, uma fraternidade verdadeiramente nobre, espiritualizada! Todos os homens se tornam irmãos, todos tomam o mate em comum!” (Viagem pelo Sul do Brasil, 1.º, 191. Rio de Janeiro, 1953).

 

Origem do chimarrão

 

O chimarrão é uma bebida tradicional da região sul da América do Sul, em países como Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai e tem um consumo forte no Brasil na região do sul do país, mais especificamente no Rio Grande do Sul, mas também é consumida do Paraná e em Santa Catarina. É uma herança direta dos povos indígenas, como os guaranis, quíchuas e aimarás. Esses povos indígenas habitavam a região dos rios do Paraná, Paraguai, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Os primeiros povos de que se tem conhecimento de terem feito uso da erva-mate são os índios que habitavam a região sul do país. Existem relatos de colonizadores desse local que contam que o consumo da erva era comum entre os moradores dali. Os indígenas tomavam a bebida no Tacuapi (bomba antiga criada pelos índios com taquara). Com o passar do tempo, o hábito de tomar chimarrão foi passado dos índios para os colonizadores que experimentaram e gostaram do chimarrão e então foram criados utensílios para aprimorar e enfeitar essa prática. Quando o chimarrão passou a ser consumido também pelos ricos, foram feitas cuias de prata, ouro, vidro e até mesmo de porcelana. Até a chaleira para esquentar a água poderia ser produzida de cobre ou prata e eram importadas da Catalunha ou de Lima. Com o aumento do consumo, aumentou também a produção da erva-mate e seu crescimento foi tanto que chegou a ser a mais importante atividade econômica brasileira da metade do século XVI até 1632.

O consumo do chimarrão passou por algumas mudanças com o passar dos anos. Até 1970, a erva utilizada na bebida era um pouco amarelada, porque passava um período em repouso. Na Argentina, entretanto, a erva ainda passa por esse processo, porém pelo período de pelo menos um ano e meio no mínimo. Seu consumo segue se desenvolvendo até os dias de hoje, sendo possível encontrar o seu composto em bebidas, remédios, produtos de beleza, cerveja, refrigerante, licor, sorvetes e muito mais.

 

 

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