26/04/2019 às 09:53
Uergs/Escola Cruzeiro do Sul/Emater montam projeto para plantio experimental de oliveiras e erva-mate
Uergs/Escola Cruzeiro do Sul/Emater montam projeto para plantio experimental de oliveiras e erva-mate
Luiz Alberto Amaral, na visita ao jornal A NOTÍCIA

A oliveira, espécie agrícola que produz azeitonas, fonte de conceituado óleo comestível em todo o mundo, cuja tradição e presença está registrada na Biblia, terá um plantio experimental em São Luiz Gonzaga. O divulgador e mobilizador para a realização desse projeto é o engenheiro mecânico e produtor rural Luiz Alberto Amaral de Castro Rodrigues. Ele tem conhecimento no plantio de oliveiras, adquirido no município de Piratini, na região Sul do Estado, onde participa de empreendimento com mais quatro amigos, todos colegas do Colégio Militar de Porto Alegre. O grupo reune-se regularmente e, numa discussão sobre oportunidades de negócio, decidiram fazer investimento no plantio de oliveiras, cultura que está em fase de implantação no Rio Grande do Sul. O plantio é perene, isto é, depende apenas de manutenção e tem longa permanência produzindo azeitonas, que podem ser consumidas in natura e o seu produto industrial, o óleo comestível, considerado um dos mais refinados do mundo. Lavouras de oliveiras estão sendo formadas em todo o Estado. Os pioneiros estão empolgados com os resultados e a tendência é de crescimento dessa cultura no Rio Grande do Sul.

 

QUEM É - Luiz Alberto é neto do saudoso pecuarista Dinarte Amaral, ex-presidente da Associação Rural de São Luiz Gonzaga, período em que foi criado o parque de exposições que hoje pertence ao Sindicato Rural, sucedâneo da antiga associação. É sobrinho do saudoso ruralista Ramão Amaral e filho do cel. Luiz Macksen de Castro Rodrigues e sua esposa, Iolanda Maria do Amaral Rodrigues, irmã de Ramão Amaral. Seu pai, o cel. Luiz Macksen, foi titular da Polícia Federal no Rio Grande do Sul na década de 1970. A família tem propriedade rural em São Luiz Gonzaga que, depois de permanecer arrendada, agora é utilizada para empreendimentos próprios. Como seu pai já é falecido, coube ao filho, Luiz Alberto, ao lado de sua mãe, administrar esse patrimônio familiar.
 
 
A EXPERIÊNCIA – O plantio de oliveiras em Piratini, primeira capital da República Riograndense, motivou Luiz Alberto e seus colegas, todos participantes do projeto. O grupo dispõe de 150 hectares, adquiridos em etapas e em torno da metade da área já está ocupada com o plantio de oliveiras. O plantio é feito com a observância de 300 plantas por hectare. A maturação exige um periodo de 10 a 12 anos, quando a colheita do óleo permite um resultado de mil litros por hectare, com uma renda de R$ 120 mil. Cumprida essa etapa, a lavoura está consolidada e exige apenas manutenção ao longo do ano e fazer a colheita do óleo. Luiz Alberto explicou que existem variedades de oliveiras que valorizam mais a fruta ou o óleo, portanto, a colheita é diversificada em dois produtos se a lavoura levar em conta essa diversidade no momento do plantio.
 
 
ESTRUTURA - Luiz Alberto explicou que existe estrutura de beneficiamento na propriedade. O investimento foi feito junto a lavoura implantada em Piratini, onde o vidro de azeite de oliva é vendido diretamente aos consumidores. Também é feita a venda do óleo para empresas que atuam no ramo e têm estrutura de comercialização adequada ao seu tamanho, isto é, colocando a produção em pontos de venda de acordo com o volume de sua produção. No RS, atualmente, vários produtores fazem o beneficiamento na propriedade e outros contratam o processo industrial com terceiros. O óleo e a azeitona, perfeitamente embalados, têm excelente aceitação no mercado, disse Luiz Alberto. Outro destaque é o resultado financeiro possível, muito superior a qualquer outra cultura, em pequenas áreas de terras. O produtor salientou sua militância na IBRAOLIVA – Instituto Brasileiro de Olivocultura. Em relação a expansão dessa cultura, informou que no Rio Grande do Sul, atualmente, ocupa 4.500 hectares de terras. O Estado dispõe de 1 milhão de hectares com solo e clima adequados ao plantio de oliveiras. Essa cultura também está presente no Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.
 
 
 
PLANTIO DE OLIVEIRAS EM SÃO LUIZ GONZAGA – Luiz Alberto decidiu, com o apoio de sua mãe, que vai destinar parte da propriedade rural da família em São Luiz Gonzaga, para o plantio de oliveiras. Afora esse projeto, reuniu produtores, agrônomos e técnicos do setor agropecuário, para montar projeto de pesquisa nesta cidade, para avaliar a performance de variedades da planta, para saber as que melhor se adaptam às condições do solo e clima missioneiro. Ganhou o apoio de serviços públicos como a Emater, através do chefe do escritório de São Luiz Gonzaga, zootecnista Paulo Corrêa de Matos e o agrônomo Edson Backes; da Uergs – Unidade de São Luiz Gonzaga (que mantém dois cursos voltados ao setor primário), destacando o diretor da Faculdade de Agronomia, Eugênio Portela e a prof. Rose Backes, doutoranda de Solos; o Sindicato Rural, através do presidente Luiz Fernando Caetano Dorneles; a Escola Cruzeiro do Sul, através do diretor, prof. Airton Ávila da Cruz; o produtor Pedro Plinio Vieira Marques; o agrônomo João Luiz Pillon, entre outros profissionais, produtores e interessados no aumento das alternativas de produção nas Missões.
 
 
 
PLANTIO EXPERIMENTAL - Esse plantio experimental ainda é apenas um projeto, cujo exame foi iniciado quarta-feira, por um grupo de trabalho formado por Paulo Matos (Emater), Airton Ávila da Cruz (Escola Cruzeiro do Sul), Eugenio Portela (Curso de Agronomia da Uergs), Edson Backes (Emater) e Rose Backes (Uergs). Luiz Alberto deverá levar o desejo da comunidade de São Luiz Gonzaga à Delegacia Regional do Ministério da Agricultura em Porto Alegre, ao secretário estadual da Agricultura, Covatti Filho, e outras autoridades do setor, para que o projeto tenha caráter oficial, isto é, que os resultados da pesquisa tenham a credibilidade necessária. O desejo é que esse projeto se desenvolva na área de campo destinado a pesquisas da Escola Cruzeiro do Sul. A pesquisa é fundamental, para indicar a relação do solo e do clima com a nova cultura e deve ser o começo do projeto de implantação da Olivocultura em São Luiz Gonzaga e a revitalização da erva-mate em nosso meio. Luiz Alberto deve retornar de Porto Alegre com mais informações a respeito.
 
 
 
ERVA-MATE – Nesse mesmo trabalho, será feita pesquisa em torno do plantio de erva-mate, produto que foi largamente cultivado nesta região de São Luiz Gonzaga e que desapareceu completamente. De acordo com Luiz Alberto, se no passado o clima e o solo eram favoráveis a essa cultura, como pode ser considerado inviável agora? Para ter respostas, é preciso pesquisar e verificar as reações com as variações possíveis de cultivares. A erva-mate é o chá que o gaúcho sorve todas as manhãs e no final das tardes. Muitos também adotam o chimarrão em outros horários e está inserido fortemente nos costumes do gaúcho. Atualmente, o avanço de lavouras mais rentáveis fez diminuir ainda mais a presença da erva-mate nos campos do Rio Grande do Sul. Muitas ervateiras do Estado buscam matéria-prima em Santa Catarina e no Paraná, para o processo de beneficiamento.
 
 
 
 
 

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