13/05/2014 às 23:18
Decretada prisão preventiva dos três indiciados do caso Bernardo

Juiz também extinguiu segredo de justiça do inquérito policial

 

O juiz Marcos Luís Agostini, da Comarca de Três Passos, decretou, na noite desta terça-feira, a pedido da Polícia Civil, a prisão preventiva do médico-cirurgião Leandro Boldrini, da mulher dele, Graciele Ugulini, e da assistente social Edelvânia Wirganovicz, amiga do casal. Com isso, não há prazo para que eles deixem a prisão. Leandro permanece na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), enquanto Graciele e Edelvânia seguem na Penitenciária Feminina de Guaíba. As prisões temporárias venciam hoje, à meia-noite, 30 dias depois de o trio ser detido. Hoje, o casal e Edelvânia foram indiciados por homicídio qualificado e ocultação do cadáver do menino Bernardo Boldrini, encontrado morto em 14 de abril em uma cova na zona rural de Frederico Westphalen, a 110km de onde vivia com a família, e dez dias depois de ser dado como desaparecido. O magistrado também extinguiu o segredo de justiça do Inquérito Policial.

O juiz considerou que haver, nos autos, indícios da participação dos representados no crime. Ele reiterou a tese do Ministério Público, que deu parecer favorável às prisões: de que é preciso assegurar a ordem pública, a conveniência da instrução criminal e a aplicação da lei penal. De acordo com o juiz, Edelvânia admitiu participação no homicídio; Graciele, madrasta do menino, reconheceu em parte a autoria dos crimes, e foram identificados indícios de participação em relação a Leandro Boldrini, pai da criança. “Os representados Leandro e Graciele, pai e madrasta da vítima, antes de qualquer outra pessoa, órgão ou instituição, tinham o dever legal de zelar pelo bem estar e segurança de Bernardo. A total inversão desse papel, sendo indiciada a autoria por homicídio dos cuidadores contra seu protegido, causou uma intranquilidade social nunca vista nesta Comarca e até em nosso Estado”, frisou Agostini.

A ordem de prisão foi emitida horas após a entrega do inquérito da Polícia Civil ao Ministério Público. De acordo com as investigações comandadas pela delegada Caroline Bamberg Machado, Leandro auxiliou na compra do remédio Midazolan, usado para matar o menino fornecendo a receita médica.

“A ordem pública está abalada na Comarca, como nunca se viu ou teve notícia. A comoção é geral e várias pessoas se dizem capazes de atos de violência contra todos os suspeitos, caso esses sejam postos em liberdade”, frisou a promotora Dinamárcia Maciel, ao dar parecer favorável às prisões preventivas, nessa tarde. Além disso, ela alertou que “algumas testemunhas inquiridas relataram o medo e o temor que tinham de sofrer represálias por parte do casal”. A promotora também lembrou que Leandro Boldrini e Graciele dispõem de “patrimônio, cultura e contatos suficientes para empreenderem fuga, especialmente por fronteiras terrestres livres na vizinha Argentina ou mesmo no Uruguai, caso sejam postos em liberdade”. A expectativa é de que o MP formalize a denúncia até sexta-feira.
 

Fonte: Rádio Guaiba

Comentários

Nenhum Comentário. Deixe o seu comentário!

Mais notícias em Polícia