20/06/2017 às 15:48
O “Teste do Pezinho” previne doenças e é obrigatório
O “Teste do Pezinho” previne doenças e é obrigatório
Ficha do Exame de Triagem Neonatal, documento básico que permite o diagnóstico em laboratório especializado em Porto Alegre

Uma soma de informações garante em São Luiz Gonzaga e certamente na maioria dos municípios, a aplicação do “Teste do Pezinho” em recém-nascidos. Esse exame é aplicado no Centro de Saúde e em toda a rede de postos de saúde do Programa Estratégia de Saúde da Família (ESF).
No Centro de Saúde – Unidade dr. Lourivaldino Furtado, um setor cuida exclusivamente desse exame e foi o primeiro a ser instalado em São Luiz Gonzaga. Era o único local para essa prestação de serviço, mas atualmente é oferecido em toda a rede de postos de saúde de São Luiz Gonzaga. Além disso, o ‘Teste do Pezinho’ é oferecido também em pelo menos um laboratório da cidade, para atendimento de convênios e clientes particulares.
A enfermeira Simone Wunsch, responsável pela aplicação do “Teste do Pezinho”, com a participação da técnica de enfermagem Rosângela de Fátima de Melo, salientou que esse exame é uma prevenção de doenças que podem retardar o desenvolvimento da criança e colocar em risco sua saúde. A pesquisa científica identificou no pé de recém-nascidos, as informações que detectam tipos de doenças que poderão se manifestar em várias fases da vida dessas crianças. E para que o teste tenha sucesso, é importante realizar a coleta no tempo ideal, que é do 3º ao 5º dia de vida do bebê. O ‘Teste do Pezinho’ é obrigatório desde 1992.
Em São Luiz Gonzaga, o Hospital local envia mensalmente à Secretaria da Saúde do Município, a declaração de nascidos vivos. Por outro lado, as agentes de saúde, que visitam regularmente todas as residências da cidade e do interior, dão a orientação sobre o ‘Teste do Pezinho’ e por ocasião do nascimento, lembra do exame e relembra no caso da mãe não comparecer com a criança em um posto de saúde. Não ocorrendo essa presença, o setor encarregado faz uma visita à família, informa sobre a importância do exame e acaba convencendo os pais desinformados. Desta forma, disse Simone Wunsch, dificilmente uma criança deixa de fazer o exame mencionado. No Centro de Saúde dr. Lourivaldino Furtado, o horário de atendimento é das 7h às 16h, sem intervalo ao meio-dia, de segunda a sexta-feira.
Simone explicou que o teste é resumido em um formulário denominado “Exame de Triagem Neonatal, enviado ao Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, onde um laboratório faz a leitura dos resultados, que são remetidos aos locais da remessa, para informação aos pais. Os pais das crianças cujos exames apontam tendência de desenvolver doenças ao longo de suas vidas, são notificadas imediatamente, para que o tratamento seja iniciado. Em alguns casos, o exame precisa ser refeito, se a criança ingeriu algum medicamento que pode alterar o resultado apurado. Tudo é tratado com muita responsabilidade, porque se trata de garantir aos recém-nascidos, vida sadia e livre de limitações que podem influir no protagonismo da criança em sua vida adulta. Simone e Rosângela disseram que não são muitos os casos que exigem tratamento para coibir doenças futuras. Mas para identificar quem precisa esse atendimento especializado, só exigindo o ‘Teste do Pezinho” de todos os recém-nascidos.
AS DOENÇAS DIAGNOSTICADAS NO TESTE DO PEZINHO
- Fenicetonúria: as crianças com essa doença não conseguem desmanchar a fenilalanina, uma substância existente no sangue. Assim, esta substância se acumula no organismo, especialmente no cérebro, levando à deficiência mental. O diagnóstico e o tratamento precoce podem evitar totalmente o retardo mental.
- Hipotireoidismo Congênito: causada pela ausência ou pela reduzida produção de hormônio da tireóide. Este hormônio é importante para o amadurecimento e funcionamento de vários órgãos, em especial o Sistema Nervoso Central. A falta do hormônio provoca retardo neuropsicomotor acompanhado de lesões neurológicas irreversíveis, além de outras alterações corporais. O diagnóstico e o tratamento precoce podem prevenir o retardo mental nas crianças que apresentam esta doença.
- Doença Falciforme: mais comum na população negra, é transmitida pelos pais, em que os glóbulos vermelhos, diante de certas condições, alteram sua forma, tornando-se parecidos com uma foice – daí o nome falciforme. Estes glóbulos alterados grudam-se uns aos outros, dificultando a passagem do sangue nos pequenos vasos do corpo, levando ao aparecimento de dor e inchaço nas juntas, anemia, “amarelão” e infecções. O portador da doença falciforme, desde que diagnosticado precocemente e acompanhado periodicamente pela equipe de saúde, pode ter uma vida normal.
- Fibrose Cística: é uma desordem genética caracterizada por infecções crônicas das vias aéreas, que afeta especialmente os pulmões e o pâncreas, num processo obstrutivo causado pelo aumento da viscosidade do muco. O tratamento do paciente com Fibrose Cística consiste em acompanhamento médico regular, suporte dietético, utilização de enzimas pancreáticas, suplementação vitamínica (vitaminas A, D, E, K) e fisioterapia respiratória. Apresenta morbimortalidade muito elevada, com apenas 34% dos pacientes chegando a idade adulta e menos de 10% ultrapassando os 30 anos de idade – a sobrevida média é de 28 anos.
- Hiperplasia adrenal congênita (HAC): Engloba um conjunto de síndromes, que se caracterizam por diferentes deficiências enzimáticas na síntese dos esteróides adrenais. Com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, é possível melhorar o padrão de crescimento, que pode ser normalizado, na maior parte dos casos. As manifestações clínicas na HAC dependem da enzima envolvida e do grau de deficiência enzimática (se total ou parcial). O tratamento deve ser contínuo ao longo da vida.
- Deficiência de biotinidase: Na deficiência de biotinidase (DBT), há um defeito no metabolismo da biotina. A doença se manifesta a partir da sétima semana de vida, com distúrbios neurológicos e cutâneos, como crise epiléticas, hipotonia (diminuição do tônus muscular e da força), atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, alopecia (perda de pelos e/ou cabelos) e dermatite eczematide. Nos pacientes com diagnóstico tardio, observando-se distúrbios visuais e auditivos, assim como atraso motor e de linguagem. O tratamento medicamentoso é muito simples, de baixo custo e consiste de utilização de biotina (vitamina) em doses diárias.
 

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