A GAITA PAROU
09 de Janeiro de 2018 ās 18:05

Foi num Dia de Reis.
Melquior, Baltazar e Gaspar, os magos, sábios do Oriente, seguiram a estrela guia e os conduziu até Belém. Eles levavam ouro, representando a realeza, mirra, uma resina antisséptica, simbolizando a pureza e incenso, demonstrando a fé.
Nada mais belo que acolher este tocador de gaita de boca, entrando em acordes para a morada eterna. Alegria, ritmo, ensaiada durante toda uma vida, abrilhanta, no momento, esta última morada deste italiano, que fez da vida, uma rotina de trabalho, amor à família e divertir a outrem, em qualquer ambiente onde se encontrava.
Múltiplas atividades o envolveram. Comércio, participação de clubes sociais como União Operária; entidades assistenciais, como o Hospital local, Paróquia; exímio cozinheiro, fazia de uma pequena omelete, um fausto almoço ou jantar. Os amigos sempre contavam com sua presença para ‘soprar’ seu instrumento de estimação. Vinho, polenta, lasanha, galinhada, o próprio churrasco faziam parte de seus cardápios.
O carteado, um bom vinho, as notas musicais de sua gaita, tornavam o ambiente acolhedor, ameno, cheio de vida, com entrosamento perfeito com a brasilidade aqui reinante. Ninguém ficava indiferente a suas piadas, histórias e, sobretudo, com o incentivo à musicalidade.
O tempo foi passando. Perdas. Novos membros na família. Filhas. Genros. Netas. Companheira. A saúde foi ficando debilitada. Cirurgias. O coração reclamava. Mas, foi tocando a vida.
Passos largos, antes, cederam lugar, a um caminhar com a neta, e, no percurso, uma palavra sempre sábia, um cumprimento, um sorriso, como está o fulano, compadre... E ia perambulando.
Imaginem que sonatas com a sabedoria dos Reis, com a harpa dos anjos e sua famosa gaita!
Pode até ir da Tristeza do Jeca até La Verginella, composições estas no seu CD.
É, Seu Olímpio, o Senhor VIVEU!
Os Reis acolhem mais um tocador no Além.