Sepse: sintomas, tratamentos e causas
12 de Abril de 2018 ās 14:59
Sepse: sintomas, tratamentos e causas
Sepse, também conhecida como infecção generalizada ou septicemia, é uma condição de emergência de saúde potencialmente fatal. Ela acontece quando um quadro de infecção é agravado, fazendo com que o organismo não consiga controlá-lo.
A infecção pode afetar todo sistema imunológico e dificultar o funcionamento dos órgãos. Em resposta, o organismo provoca mudanças na temperatura, pressão arterial, frequência cardíaca, contagem de células brancas do sangue e respiração.
As formas mais graves de sepse também podem causar uma disfunção de órgãos ou o chamado choque séptico.
Atualmente a sepse é a principal causa de mortes nas unidades de terapia intensiva (UTI). O Brasil tem uma das mais altas taxas de mortalidade do mundo pelo problema - cerca de 55% dos casos, segundo dados do Instituto Latino Americano de Sepse. Estima-se que aproximadamente 400 mil novos casos são diagnosticados por ano e até 240 mil pessoas morrem anualmente.
 
Fatores de risco
As condições de saúde mais associadas ao aparecimento de sepse são:
·         Pneumonia
·         Infecção abdominal
·         Infecção renal
·         Infecção da corrente sanguínea (bacteremia)
O risco também é maior se o paciente:
·         Faz quimioterapia
·         Está com o estado de saúde geral comprometido, em geral internado em unidade de terapia intensiva (UTI)
·         Tem feridas ou lesões, como queimaduras
·         Esteja utilizando dispositivos invasivos, tais como cateteres intravenosos ou tubos respiratórios.
Alguns grupos de pessoas correm mais riscos de sofrer sepse. São eles:
·         Bebês prematuros
·         Crianças com menos de 1 ano
·         Idosos com mais de 65 anos
·         Portadores de doenças crônicas, como insuficiência cardíaca, insuficiência renal e diabetes
·         Usuários de álcool e/ou drogas
·         Portadores de doenças que afetam o sistema imunológico, como HIV positivo.
MAS ATENÇÃO: Qualquer pessoa pode ter sepse.
Sintomas de Sepse
A sepse normalmente acontece quando uma infecção anterior (como uma infecção urinária) se agrava e espalha pelo corpo. Os principais sinais que devem levar o paciente ao hospital são:
·         Febre
·         Taquicardia
·         Frequência cardíaca aumentada
·         Dificuldade para respirar ou frequência respiratória aumentada
·         Pressão arterial baixa (hipotensão)
·         Menor quantidade de urina
·         Alterações neurológicas, que podem ser desde ansiedade e desorientação até confusão mental e perda de consciência.
A infecção generalizada também pode ser agravada, causando a sepse grave ou choque séptico - que acontece quando há disfunção de um ou mais órgãos, acompanhada de uma pressão arterial extremamente baixa, que não volta à normalidade mesmo com a infusão de líquidos (soro).
Buscando ajuda médica
Na maioria dos casos a sepse ocorre em quem já está hospitalizado. Pessoas internadas na UTI são especialmente vulneráveis a desenvolver infecções que podem levar à sepse.
Contudo, qualquer tipo de infecção, leve ou grave, pode evoluir. As mais comuns são a pneumonia, infecções na barriga e infecções urinárias. Por isso quanto menor o tempo com infecção, menor a chance de surgimento da sepse.
O tratamento rápido das infecções é uma estratégia que deve ser adotada. Se um paciente pegar uma infecção ou desenvolver sinais de sepse após uma cirurgia, hospitalização ou infecção, é necessário procurar assistência médica imediatamente.
Diagnóstico de Sepse
O primeiro passo para o diagnóstico da sepse é reconhecer os sinais clínicos, como febre, aumento da frequência cardíaca e diminuição da pressão arterial. Depois disso, o diagnóstico geralmente é confirmado com um exame se sangue.
Os exames de sangue que podem ser feitos incluem:
·         Gasometria arterial
·         Exames de função renal
·         Contagem de plaquetas
·         Contagem de leucócitos
·         Diferencial sanguíneo
·         Produtos de degradação da fibrina
·         Lactato
·         Culturas de bactérias.
Dependendo dos sintomas e medicamentos que o paciente está tomando, podem ser feitos outros exames, como:
·         Exame de urina
·         Coleta de amostras de infecções e feridas
·         Análise de secreções respiratórias
·         Raio-x
·         Tomografia computadorizada
·         Ultrassonografia
·         Ressonância magnética.
Tratamento de Sepse
Alguns medicamentos usados no tratamento de sepse são:
·         Antibióticos
·         Medicações para elevar a pressão arterial
·         Baixas doses de corticosteroides
·         Insulina, para ajudar a manter os níveis de açúcar no sangue estável
·         Uma cirurgia pode ser feita para remover as fontes de infecção caso existam, tais como abscessos.
Quanto mais rápido for o diagnóstico e tratamento, melhores as chances de recuperação para o paciente.
Pessoas com sepse grave e choque séptico requerem uma estreita vigilância e tratamento em uma UTI do hospital e podem ser necessárias medidas de salvamento para estabilizar as funções orgânicas.
Medicamentos para Sepse
Os medicamentos mais usados para o tratamento de sepse são:
·         Bactrim
·         Ceftriaxona Dissódica
·         Ceftriaxona Sódica
·         Clocef
·         Cloridrato de Dopamina
·         Clavulin.
Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento.
Complicações possíveis
Dentre as complicações relacionadas à sepse, estão:
·         Alteração na coagulação do sangue
·         Problemas na irrigação dos órgãos vitais (cérebro, coração, rins)
·         Disfunções orgânicas graves
·         Morte.
Expectativas
Quanto mais rapidamente for realizado o diagnóstico e tratamento da sepse, melhores as expectativas para a condição geral do paciente. O inverso também é verdadeiro, fazendo com que o risco de morte aumente caso haja demora para o atendimento, sobretudo em pessoas com o sistema imunológico debilitado ou com uma doença crônica.
Também é comum que pacientes com sepse tenham sequelas depois de finalizado o tratamento. Elas podem diminuir ou desaparecer com o tempo ou acompanhar a pessoa para o resto da vida. Tudo depende do estado geral do paciente antes do problema, da gravidade, tempo de internação e local em que ocorreu a infecção.
Dentre as possíveis sequelas estão:
·         Dificuldade de mobilidade (por perda de massa muscular)
·         Problemas de memória
·         Alterações cognitivas
·         Entre outros.
Pacientes mais jovens tendem a se recuperar melhor destas sequelas do que pessoas com mais idade.
Fisioterapia, nutrição adequada e acompanhamento psicológico são medidas que podem ajudar a pessoa a se recuperar melhor, inclusive das sequelas.
Bebês e crianças novas e em idosos têm uma tendência maior a sofrer os efeitos mais graves da sepse. Segundo o Datasus, a infeção generalizada foi a maior causa de morte de crianças com menos de um ano entre os anos de 2011 e 2014 e a segunda maior em 2010. Em média, todos os anos, ela sozinha é responsável por 8,5% dos óbitos nesta faixa etária.
Prevenção
O risco de sepse pode ser reduzido, principalmente em crianças, respeitando-se o calendário de vacinação. Uma higiene adequada das mãos e cuidados com o equipamento médico podem ajudar a prevenir infecções, inclusive hospitalares, que levam à sepse.
Além disso, fazer o tratamento adequado de infecções que podem parecer simples, como uma infecção urinária ou gripe, pode ajudar a prevenir o seu agravamento e a sepse.
Ter uma vida saudável, com prática de atividades físicas, alimentação balanceada, sem cigarro e evitando o consumo de álcool ajuda na condição de saúde total do corpo, o que também pode ajudar a prevenir o agravamento de infecções e a sepse.
Informações médicas:
Marcelo Maia, médico intensivista e coordenador médico do Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Santa Luzia, em Brasília - CRM: 10161/DF.
Decio Diament, infectologista e coordenador do Comitê Científico de Infecções em UTI da Sociedade Brasileira de Infectologia - CRM: 39049/SP.
José Ribamar Branco, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo - CRM: 61663/SP.
Instituto Latino Americano da Sepse
Levy MM, Dellinger RP, Townsend SR, et al; Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Severe Sepsis and Septic Shock: 2012. Crit Care Med February 2013, Volume 41 , Number 2.
 
(Fonte: Minha Vida/Blog de Saúde)