FEIRA DO LIVRO
08 de Novembro de 2018 ās 09:27

 

 São Luiz Gonzaga está realizando a 42ª Feira do Livro. Tenho eu que dizer-me orgulhosa em ser a Patronesse desta Feira e não poderia deixar de manifestar-me neste espaço.

Uma Feira do Livro é a festa maior do livro. É um espaço aberto para o bailado das palavras que estão lá, dormindo, encarceradas nos livros, à espera de que mãos carinhosas e olhos ávidos possam libertá-las, para assim acordar os que dormem e fazê-los libertos.

Como professora, a palavra foi sempre meu instrumento de trabalho. Como uma pessoa que escreve, ela permanece comigo entre metáforas e provocações, até sair de mim sem sair. Quando fui informada que seria a Patronesse, uma palavra instalou-se em meu coração e dele se apossou, pondo-se a vibrar cordas, desvelar cifras, misturar partituras, querendo vir à tona em forma de canção. Uma palavra quente, soante, pungente, chamada GRATIDÃO.

Agradeço sim. Agradeço e muito:

Às entidades que apoiaram a indicação de meu nome;

Ao poder público municipal e sua maravilhosa equipe;

Aos meus colegas trabalhadores da educação companheiros de tantas lutas e aos meus alunos com quem tanto aprendi da arte de viver;

Ao meu esposo, Jorge Enio, pelo apoio cotidiano;

Aos meus filhos, Fernando e Vanessa, pérolas, jóias, orives a me lapidar;

Ao meu pai e minha mãe, minha gênese e minha saudade perene;

Ao jornal A Notícia pelo abraço e aconchego; por propiciar que suas páginas sejam como Liras douradas a embalar minhas palavras e conduzi-las como sopro do vento aos leitores de todos os rincões.

As inúmeras felicitações recebidas de amigos tantos, e de tantos conhecidos e desconhecidos que, na rua cruzam por mim esboçando um sorriso, um olhar terno.

Também, não posso deixar de parabenizar a Prefeitura Municipal, na pessoa do Exmo.Sr. Prefeito Sidnei Brondani, a Secretária Rosângela Vidoto e sua equipe e todos aqueles que colaboraram para que a Feira pudesse acontecer. Muitos são os discursos sobre a importância da educação e da leitura, mas a realização de um evento que privilegie a educação e a cultura, com ênfase na leitura, vai para além da retórica.

Ao definir como lema: NA METAMORFOSE DA LEITURA A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO, a secretaria reafirma a convicção de que a leitura opera transformações, propicia clareza de ideias e conceitos, liberta o ser, ao torná-lo capaz de selecionar a enxurrada de informações derramadas pela mídia.

Os agentes públicos precisam se convencer de que cada moeda que se deixa de investir em educação e cultura hoje, trará como resultado um avalanche de violência e miséria humana.

A realidade é desalentadora - Crise econômica, social, política; o único valor existente é o pecuniário; o lucro, o mercado são deuses; fome doenças, violência, barbárie; embrutecimento; falta de respeito; vida líquida: tudo raso, volátil, volúvel; o mundo real, a verdade, cedeu espaço para o discurso mentiroso e persuasivo da mídia no império das fakenews.

 

A possibilidade de mudar o mundo liga-se diretamente aos livros que lemos, pois a leitura abre horizontes para leitura do mundo, e assim, abre caminho para o diálogo que há de suplantar a estupidez humana.

Não pode, no entanto, o livro ser substituído pelas leituras relâmpagos nas redes sociais, que estão aí nos separando, nos ensinando a agredir. O povo que não lê, não se informa e não se forma, não pensa por si mesmo, transforma-se em papagaio a repetir conceitos impregnados de senso comum, veiculados nas redes sociais.

Ninguém nasce leitor. É preciso educar para a leitura, criar hábitos de leitura, investir na formação do leitor na escola e em casa. O livro é muito caro? Depende da escala de valores, do conceito de despesa e investimento.

Abracemos os livros. Eduquemos pela sensibilidade. Humanizemos pela literatura. A literatura é música que toca o coração, põe brilho no olhar, flor sobre pedras, matizes coloridos em dias sombrios. Ler e escrever é um direito.

Obrigada a todos vocês que me abraçam quando leem minha coluna.Tudo o que fizemos só vale a pena quando encontramos um lugar no coração das pessoas.

Mil vidas à nossa Feira do Livro!