A Sede da Enchente

  • 9 de maio de 2024

Peguei-me a pensar, em meio às consultas que entram e saem desta sala de consultório, no paradoxo deste desastre natural que nos assola.

O rádio ao fundo em baixo volume. Notícias voluptuosas. Uma ruim, sobreposta a outra ainda pior. Prato cheio para o desespero, raiva, desalento e desequilíbrio mental. Coloquei-me à disposição da população remotamente nesta terra missioneira a atendimentos neurológicos. O paradoxo é: sede em meio à tanta água. Caótico no mínimo.

Entre o desespero de águas revoltas e a resignação da sede, a vida se equilibra precariamente em meio às margens do Rio Grande do Sul. Enquanto a inundação devora casas e destinos, há um retrato marcante de sobrevivência que ecoa nas entrelinhas dessa catástrofe: o valor das pequenas coisas.

No turbilhão da tragédia, pessoas são forçadas a enfrentar uma luta desumana contra a sede. Água, essência da vida, torna-se um bem escasso, uma miragem inatingível enquanto as torrentes ameaçam tudo ao redor. É nesse cenário caótico que as pequenas coisas revelam seu verdadeiro poder.

Nas mãos trêmulas de um sobrevivente, um gole d’água não é apenas um alívio momentâneo, é uma dádiva divina. É a promessa de mais um suspiro de vida, uma pausa no caos que cerca. Uma pequena fonte, outrora despercebida, torna-se o oásis em meio ao deserto.

Assim como a água em tempos de calamidade, as pequenas coisas ganham proporções épicas. Um sorriso gentil, um gesto de solidariedade, o calor humano em meio ao frio das águas turbulentas. São esses pequenos atos que sustentam a esperança e reafirmam a humanidade em meio ao caos.

Enquanto as águas avançam, arrastando sonhos e destinos, há uma lição a ser aprendida nas margens do Rio Grande do Sul. Nos momentos de adversidade, quando a sede ameaça consumir até mesmo a alma, são as pequenas coisas que nos lembram do valor da vida. Um gole d’água, um abraço reconfortante, uma mão estendida em solidariedade – são estes pequenos, mas preciosos, atos que nos mantêm firmes diante das tempestades da vida.

Entre COVID. Dengue. Desastre natural. Trágicos todos.

Porém lembremos: este mundo foi feito em colaboração por todos nós. E é neste espírito que precisamos descansar nossa alma e estender os nossos braços. Agora não é infecção apenas. Agora é a dignidade humana que nossos irmãos estão em busca.

Solidarizemo-nos.

Faça já a sua parte. A recompensa em bem-estar de todos é inatingível.

Em um planeta 70% composto por água. Em cidades imersas pelas cheias. O que falta, também, é a água pura da reconstrução e da sede.

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