Cheiro da Infância

  • 18 de agosto de 2023

No entardecer dourado da memória, há um aroma que transcende o tempo e resgata lembranças que, por vezes, parecem desvanecer-se nas dobras da mente. É o cheiro da infância, uma fragrância única e intemporal que evoca a nostalgia de um tempo passado, impregnando-se em cada canto do nosso ser.

O olfato, esse sentido muitas vezes subestimado, possui o poder extraordinário de nos transportar para épocas idas, imprimindo a alma com as lembranças mais vívidas e alegres. O cheiro da infância é uma linguagem silenciosa, um elo entre o presente e o passado, e é capaz de criar um refúgio de aconchego em meio à voragem do tempo.

Lembro-me vividamente dos verões quentes da minha infância, quando a brisa carregava o cheiro fresco de grama recém-cortada e das flores coloridas que adornavam os jardins. O perfume doce e suave das manhãs, impregnado nas folhas e pétalas, era como uma poção mágica que envolvia cada aventura e brincadeira. Cada inalação era um mergulho nas águas cristalinas da inocência, onde a felicidade se manifestava nas risadas e nos jogos intermináveis. Cheiro de laranja do céu.

E que dizer daquele aroma reconfortante da comida caseira que emanava da cozinha? Era o cheiro da mãe, do pai, dos avós, preparando com carinho os pratos que se tornariam marcos nas nossas memórias gustativas. Aromas familiares que transcendiam a mera comida, e que agora, ao serem revividos, reacendem a chama da conexão e do amor. Cheiro de rosca de polvilho.

E não posso deixar de mencionar o inebriante cheiro dos livros, aqueles fiéis companheiros que nos guiavam por mundos imaginários. O aroma das páginas amareladas, da tinta gráfica impregnada no papel, era como uma passagem mágica para terras distantes e aventuras inesquecíveis. A cada virada de página, o cheiro da infância se entrelaçava com o cheiro da sabedoria adquirida. Cheiro da estante da mãe e da biblioteca da escola Henrique Sommer.

Mas é nos pequenos detalhes que o cheiro da infância se revela verdadeiramente. Aquele brinquedo de madeira com o seu toque rústico, exalando um aroma levemente terroso; o cheiro de terra molhada após uma chuva de verão, quando a natureza celebrava em uma dança silenciosa; ou mesmo o cheiro característico da escola, mistura de giz, lápis de cor e cadernos novos.

Hoje, em um mundo acelerado e incerto, encontrar o cheiro da infância pode parecer uma busca constante pelo tesouro perdido. No entanto, ele reside em nosso íntimo, esperando apenas um sopro de atenção para emergir e nos presentear com uma nostalgia feliz. Aquele perfume, que pode ser encontrado em um bouquet de flores frescas, em um abraço apertado ou até mesmo no ar puro da manhã, é um lembrete gentil de que a criança que fomos permanece dentro de nós, pronta para reacender a chama da alegria pura e simples.

Em um mundo que muitas vezes parece fugaz, o cheiro da infância permanece como uma âncora de conforto e esperança. Um tesouro olfativo que transcende o tempo, nos envolvendo com um abraço terno e nos recordando que, apesar das transformações, o coração pode sempre encontrar abrigo naquelas memórias que, como um perfume etéreo, nunca se desvanecem verdadeiramente.

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