Há 268 anos, Sepé Tiaraju morria em combate em defesa do seu povo e de sua terra

  • 8 de fevereiro de 2024
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Na quarta-feira, 7 de fevereiro, foi celebrado o Dia de Sepé Tiaraju, líder guarani assassinado por invasores espanhóis e portugueses, no ano de 1756. Uma das figuras mais míticas e inspiradoras do imaginário popular, a história do guerreiro Sepé Tiaraju ainda mantém muitos mistérios; porém, sua trajetória de luta e o martírio elevou o líder guarani ao posto de herói nacional.

O fatídico ocaso de Sepé aconteceu em uma noite enluarada, à beira de um córrego afluente do Vacacaí, na região do Rio Pardo (atual São Gabriel), sendo uma espécie de prólogo para os eventos subsequentes, pois, três dias após, em 10 de fevereiro de 1756, a 30 quilômetros de distância, os exércitos coligados de Portugal e Espanha enfrentaram as forças indígenas. Chacinaram 1,5 mil guaranis em menos de duas horas. A Sanga da Bica, onde Sepé morreu e que teria entoado sua frase célebre, “essa terra tem dono”, e os campos de Caiboaté, local do maior massacre que o Rio Grande do Sul já viu, são assinalados hoje por marcos e monumentos.

Quanto ao lugar da morte de Tiaraju, está situado na zona urbana de São Gabriel, a poucos quarteirões do Centro. Em 1955, quando se propôs ao governo do Estado a instalação no local de uma estátua do herói, para marcar os 200 anos de seu tombo, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (IHGRS) emitiu parecer contrário, alegando ser inadmissível encarar Sepé “como uma expressão do sentimento, das tendências, dos interesses, da alma coletiva, enfim, do povo gaúcho”.

Nascimento – Não há certezas sobre a data ou o local de nascimento de Sepé Tiaraju. Até mesmo seu nome gera dúvidas, aparecendo grafado de diferentes maneiras em documentos da época: Joze Thearaju, Sapé, Josepho, Tiararu, Zapé. O que se sabe é que ele era um cacique guarani com posições de comando na estrutura das Missões, as 30 povoações estabelecidas por padres jesuítas 150 anos antes, por ordem do rei da Espanha, com a finalidade de catequizar os indígenas.

Na época de Sepé, esses povos eram verdadeiras cidades, com atividades comerciais, artísticas, educacionais e de manufatura. Apenas nas sete missões a oriente do Rio Uruguai, no atual território gaúcho, viviam 30 mil pessoas. Como a zona não era propícia para o gado, as reduções tinham suas estâncias mais ao sul, no pampa, incluindo a área onde hoje estão os municípios de Bagé e São Gabriel. Sepé estava vinculado ao povo de São Miguel, exercendo funções de alferes-mor (uma patente militar), corregedor (espécie de governante municipal) e comandante da milícia da região. O mundo missioneiro de que ele fazia parte começou a ruir em 1750, quando Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Madri, que redesenhava a divisão do território sul-americano entre as duas coroas ibéricas. Pelo acordo, os castelhanos deveriam entregar a área dos sete povos aos lusitanos, removendo dali os indígenas, sem qualquer tipo de indenização.

Sepé Tiaraju teve seu nome inscrito em aço no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria, ao lado de Tiradentes, Zumbi dos Palmares e Duque de Caxias. No imaginário popular, ele ganhou fama de santo, reputação chancelada pelo Vaticano, que autorizou a Diocese de Bagé a iniciar um processo de canonização.

Homenagem ao célebre filho – Embora não existam registros que precisem com exatidão o lugar de nascimento de Sepé Tiaraju, São Luiz Gonzaga sempre contou com movimentos que buscavam reivindicar a naturalidade do herói missioneiro. Um dos entusiastas da fascinante trajetória do líder guarani, o escultor são-luizense Vinícius Ribeiro, é um pesquisador da história de vida, luta e morte de Sepé, tendo sido responsável por conceber uma das maiores homenagens já concebidas ao Herói da Pátria, com a confecção de um monumento de 2 metros de altura, inaugurado em 19 de abril de 2006.

A inauguração do monumento de Sepé junto ao trevo principal. Obra de Vinícius Ribeiro.

A obra, denominada pelo autor “Sepé Tiaraju São-luizense e Missioneiro”, carrega consigo o subtítulo “A Cruz acima da Lança”, que traz a referência de que Sepé não buscava a guerra, e, sim, a paz.

O início da ideia de um monumento surgiu no início dos anos 2000, quando a Prefeitura planejou a construção de um pórtico para a cidade. O prefeito à época era Jauri Gomes de Oliveira. O escultor Vinícius Ribeiro concebeu três projetos do monumento, alterando a concepção das versões. Com a não reeleição de Jauri, o projeto do monumento a Sepé parecia que não iria mais se concretizar. Foi aí que entrou a iniciativa de Ribeiro em pleitear a justa homenagem a Sepé: “Em 3 de agosto de 2005, com o projeto embaixo do braço, procurei o então prefeito, Aguinaldo Caetano Martins, para explicar a importância de Sepé Tiaraju para São Luiz Gonzaga. Exaltei com todos argumentos possíveis, alertando que perderíamos Sepé, caso não fizéssemos algo o quanto antes. Pois, em 2006, seriam comemorados os 250 anos da sua morte e algumas cidades estavam organizando homenagens. O Prefeito concordou, o contrato foi finalmente assinado em 30 novembro de 2005, porém, para que isso acontecesse, tive que cobrar apenas o valor de custo da escultura…

Apesar de ser apenas o valor de custo, tive que fazer um empréstimo na SALUSA (Salusa Participaões s/c), pois a prefeitura juridicamente não poderia adiantar nada. Mas, às vezes se perde num lado e se ganha no outro: ganhei em divulgação e principalmente em satisfação! E, o mais importante de tudo: cravamos uma lança no chão determinando que o Sepé mito era filho da nossa terra de São Luiz Gonzaga”, recorda Ribeiro.

A mudança de local – No início do mês de maio de 2011, o prefeito na época, Mário Meira, informou a Ribeiro que o DNIT solicitara a remoção da escultura, alegando que era necessária devido às modificações no trevo principal da cidade, na BR-285. Temendo que a escultura fosse levada para um local inapropriado, o escultor encaminhou um abaixo-assinado com entidades culturais da cidade pedindo que a obra fosse então colocada em frente ao prédio da Prefeitura, o que foi muito bem aceito pela Administração.

O monumento hoje está localizado em frente à Prefeitura, a qual é denominada “Paço Municipal Sepé Tiaraju”. Crédito: Emerson Scheis

Mais tarde, a pedido do Atelier Los Libres, o prefeito Junaro Figueiredo, em 8 de dezembro de 2015, sancionava a lei municipal que passava a denominar a sede da Prefeitura de São Luiz Gonzaga como “Paço Municipal Sepé Tiaraju”, fazendo a justa referência ao herói guarani que guarda, até hoje, a entrada da sede administrativa do Município.

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