Instituto Federal Farroupilha: São-luizenses servidores da instituição comentam sobre as características do IFFar

  • 26 de março de 2024
Marcel Hastenpflug e sua esposa Tatiana Wommer são professores no campus de Alegrete

Com o exitoso anúncio de que São Luiz Gonzaga irá receber um campus do Instituto Federal Farroupilha – IFFar, o Jornal A Notícia conversou com dois são-luizenses que são servidores públicos da instituição de ensino para saber peculiaridades do Instituto e a expectativa quanto à implantação de uma unidade no Município.

Marcel Hastenpflug, Zootecnista e Metre em Agronomia, é professor no campus do IFFar em Alegrete juntamente com sua esposa, Tatiana Wommer. Valter Moreira, licenciado em Letras, Mestre em Educação nas Ciências e Doutorando em Educação, é Assistente de Alunos – Técnico Administrativo em Educação no campus de Panambi. São dois são-luizenses que atuam em campi do Instituto Federal Farroupilha e que descrevem as características da instituição e dos benefícios que um campus do IFFar poderá trazer para São Luiz Gonzaga. Confira!

A Notícia – Quando iniciou a trajetória no IFFar?

Marcel – Iniciei minha trajetória da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica tão logo me formei em Zootecnia, em 2006, como professor substituto da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus Dois Vizinhos. Em 2009 prestei concurso público para o recém-criado na época Instituto Federal de Mato Grosso do Sul, campus Nova Andradina, e assumi em janeiro de 2010. No outro ano, fui convidado para implantar o campus Ponta Porã daquele Instituto, como primeiro Diretor-Geral Pro Tempore. Em 2019, fui redistribuído para o Instituto Federal Farroupilha, campus Alegrete, onde atuo até hoje.

Valter – Eu tomei posse e entrei em exercício como servidor do Instituto Federal Farroupilha em maio de 2010.  O concurso que eu prestei foi em 2008, na época a vaga que eu pleiteava era para a UNED de Júlio de Castilhos, pois ainda não existia a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, já que a lei que criaria os Institutos Federais saiu em dezembro daquele ano. Com a criação da Rede Federal de EPT vieram novos campus e então fui chamado em 2010 para Panambi, onde fui o primeiro servidor a ser nomeado diretamente para este campus que então havia sido criado, mas já haviam lá alguns colegas removidos de outras unidades.

Marcel Hastenpflug e sua esposa Tatiana Wommer são professores no campus de Alegrete

A Notícia – Como funciona a disponibilidade de cursos, no caso, no seu campus? Os cursos são técnicos ou possuem graduação também?

Marcel – O campus Alegrete do IFFar é enquadrado junto ao Ministério de Educação como campus agrário. Nesta semana, a unidade está comemorando seus 70 anos de criação, como antiga Escola Agrotécnica Federal, a qual foi inserida no contexto dos Institutos Federais no momento da criação da atual Rede Federal, por intermédio da Lei 11.892/2008, que criou os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia no país, por conseguinte o IFFar. Nosso Instituto conta atualmente com 10 campi (mais dois em processo de criação recente) e o campus Alegrete oferta cursos técnicos integrados ao ensino médio e cursos superiores de Bacharelado, Licenciatura, Tecnologias, além de pós-graduação.

Valter – O Instituto Federal pode atuar desde a educação básica (ensino médio) até cursos de pós-graduação, como de mestrado e doutorado. No meu campus de origem foram feitas audiências públicas com a cidade e a comunidade regional a fim de estabelecerem os eixos tecnológicos de atuação do campus. Escolhidos os eixos que estão no Catálogo Nacional de Cursos Técnicos do Ministério da Educação, então cria-se os cursos tanto técnicos quanto de graduação. Isso vai depender da quantia de professores das áreas técnicas lotados no campus, para poderem dimensionar quantos cursos poderão ser ofertados com qualidade e excelência pedagógica.

A Notícia – O IFFar de Alegrete aborda áreas técnicas específicas da região? Como foi a escolha dos cursos ofertados na sua região?

Marcel – O IFFar busca atender ofertas de curso com base na vocação regional, além de atentar às diretrizes da Lei de Criação dos Institutos, com relação as modalidades de cursos e proporcionalidades de matrículas entre elas. No caso do campus Alegrete, por ter vocação agrária, tem como carros-chefes os cursos Técnico em Agropecuária, Bacharelado em Zootecnia, Tecnologia em Agroindústria, Tecnologia em Produção de Grãos e mais recentemente Bacharelado em Agronomia. Além destes, de forma complementar também oferta os cursos Técnicos em Informática, Técnico em Química, Técnico em Agroindústria (PROEJA e EaD), Licenciaturas em Ciências Biológicas, Química, Matemática, Tecnologia em Alimentos, Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, além de algumas pós-graduações. Desta forma, atende a um público estudantil de aproximadamente 1200 alunos.

Valter  – Como eu disse anteriormente, a comunidade foi que escolheu os eixos tecnológicos de atuação do campus; por exemplo, um dos eixos tecnológicos elencados no início do campus foi o de Recursos Naturais, então hoje temos o curso de Técnico em Agricultura, e agora em 2024 abriu a primeira turma de Agronomia. Isso corresponde ao que se denomina de verticalização do ensino, quando o eixo tecnológico perpassa todos (ou quase todos) os níveis educacionais numa mesma unidade ou campus. Claro que os cursos podem ser revistos quanto à sua formação e criação conforme as necessidades do Arranjo Produtivo Local, já que muitas vezes tem-se uma necessidade e se ela não é correspondida, então busca-se outra metodologia e podem ser criados novos cursos e extinguir-se outros.

Valter Moreira é técnico administrativo em Educação no campus de Panambi

A Notícia – a implantação de um IFFar em São Luiz Gonzaga poderá beneficiar o desenvolvimento da região, tanto educacional, como economicamente?

Marcel – Pensando em desenvolvimento regional, não restam dúvidas. Do ponto de vista econômico, só o que um campus movimenta de folha de pagamento, já é bastante representativo em um município pequeno. Isto sem falar dos custos com insumos e prestações de serviço locais. Além disto, historicamente mais da metade dos servidores de um campus vêm de fora do município. Com isto vêm junto as famílias, novos empregos, impostos e tudo mais que movimenta direta e indiretamente o caixa de um município. Já do ponto de vista educacional, creio que ninguém tem dúvidas do que o ensino de qualidade e a formação profissional de uma população trazem de benefícios sociais para uma comunidade.

Valter – Quando iniciei em Panambi não havia nem calçamento na estrada de acesso ao campus, atualmente é uma rua asfaltada e criou-se toda uma vizinhança de casas em volta do local que era retirado da cidade, e hoje é um bairro quase que plenamente estruturado. Economicamente, a cidade pode ganhar muito devido à circulação de pessoas, mais demandas do comércio, de estadia, muitos setores serão beneficiados. Já o desenvolvimento educacional se dá pelo fato de que o Instituto Federal é um projeto modelo de educação. As tentativas recentes que estão sendo feitas com o Novo Ensino Médio e escolas de turno integral já dão certo nos Institutos Federais desde sua implantação, porque a dinâmica do processo de ensino aprendizagem é diferente, além da infraestrutura de laboratórios juntamente com o apoio pedagógico (que é um núcleo específico de assessoria curricular) e a assistência estudantil (que engloba auxílios financeiros, alimentação e setor de saúde). Desde o início do curso, os alunos são instigados a participar da Prática Profissional Integrada, onde os conhecimentos de todas as disciplinas do curso são concretizados em um projeto como forma de contextualizar os aprendizados adquiridos e as experiências realizadas. Em muitos casos surgem projetos bem inovadores. Isso decorre porque os discentes são estimulados a fazer pesquisa de verdade, que não é fazer uma busca no Google, mas sim incentivados a fazer coleta e análise de dados através de metodologias de pesquisa que busquem a resposta para determinado problema. O resultado de tanto empenho dos alunos se dá porque os professores são, em sua maioria, mestres ou doutores. Então, uma escola que agrega a sua formação acadêmica para a preparação para o trabalho vai potencializar os alunos formados em profissionais com conhecimentos múltiplos e preparados para o mundo do trabalho.

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