Pesquisadora do IHGSLG encontra a primeira poesia de Jayme Caetano Braun publicada no jornal A Notícia em 1942

  • 1 de março de 2024
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A jornalista, pesquisadora e responsável pelo acervo do Centro de Documentação e Memória do Instituto Histórico e Geográfico de São Luiz Gonzaga, Irene Gomes, após pesquisas realizadas no acervo do Jornal A Notícia da década de 40, encontrou a primeira poesia de Jayme Caetano Braun publicada no jornal, o que corrige a informação de que a primeira obra publicada do pajador, “Quero-Quero”, teria sido publicada em 1943.

A primeira obra – Intitulada “Ao Prezado Monsenhor Wolski”, a poesia composta de 17 estrofes com 6 versos em cada estrofe foi publicada na edição de 10 de janeiro de 1942. A responsável pelo achado, Irene Gomes, relata o trabalho de pesquisa realizado: “Como faço parte da Comissão do Centenário de Jayme C. Braun, indicada pela Associação dos Músicos São-Luizenses, despertou-me a curiosidade acerca das publicações sobre o Jayme no Jornal A Notícia. E fui pesquisar. E, para nossa surpresa, o primeiro poema publicado em A Notícia foi em 10 de janeiro de 1942, e não como vem sendo divulgado desde a morte do pajador de que a primeira poesia teria sido publicada no ano seguinte”.

Trabalho no IHG – Irene destaca a sua rotina e como a equipe do Instituto trabalha diariamente na pesquisa e na preservação do acervo histórico de São Luiz e região: “Há oito anos fui convidada pela professora Anna Olívia do Nascimento para fazer parte do Grupo de Pesquisa da instituição. Doei todo o acervo do meu falecido esposo historiador José Gomes para o Instituto Histórico e, desde então, viemos trabalhando em cima dessa farta documentação”.

Técnicas e procedimentos – “Para pesquisar no Centro de Documentação e Memória é necessário um agendamento prévio através do WhatsApp, e-mail, telefone fixo ou diretamente no IHG. Além disso, todos os pesquisadores têm de usar máscara, luvas descartáveis e lápis preto para melhor preservar o acervo pesquisado, evitando assim a oleosidade da pele e suor no contato com os documentos. A caneta é vedada a utilização para não danificar, evitando manchas de tintas. Temos que pensar que todo o documento, fotografia, jornal é um cristal muito delicado e para sobreviver precisa dos nossos cuidados. No Centro de Documentação e Memória não pode entrar plantas nem alimentos para evitar a proliferação de pequeninos insetos. Todo o material recebido passa por um criterioso processo de higienização para não contaminar outros documentos”, explica.

Equipe – Irene Gomes destaca e agradece o trabalho realizado pela equipe do Grupo de Pesquisa: “O Centro de Documentação e Memória é o cérebro da nossa instituição; é onde fica nosso acervo de documentos, fotografias, periódicos, revistas, almanaques, discos vinil, CDs, DVDs e, em especial, a coleção do Jornal A Notícia, nossa primeira fonte de pesquisa”. Fazem parte do Grupo de Pesquisa: Irene Gomes – jornalista, encarregada do acervo do CDM, agendamento de pesquisadores e das redes sociais do IHG; Lauro Machado – presidente do IHG; Anderson Amaral – coordenador do Centro de Documentação e Memória; e Ivete Catelan – tesoureira do IHG, sendo os três últimos graduados em História.

A seguir, a poesia:

Ao Prezado Monsenhor Estanislau Wolski

S. Luiz, vilinha nascente,

Assistiu, toda contente,

A chegada de um viajante

Que num gesto temerário

Tinha vindo de Vigário

Naquele logar distante.

II

Moço ainda, pregador

(…) bom Monsenhor

Afeiçou se àquele chão.

Gostava daquela gente,

Tão simples, tão inocente,

Que tomava chimarrão.

III

Montado no seu cavallo

Perfazis, sem abalo,

Léguas e léguas sozinho.

Se apuitecia, se apeava

E nos arreios pousava

Lá a beira do caminho.

IV

Às vezes em pleno inverno,

Um barral que era um inferno,

Cobrindo a crosta do chão,

Lá se ia o missionário

Com seu zelo extraordinário

Ouvir uma confissão.

V

Tormentas de erguerem as casas,

Frios de apagarem brasas.

Isso tudo era bobagem.

Cruzava sangas a nado

Pra fazer um batizado:

Isso sim que é ter coragem.

VI

Na dilatada campina,

(…) de grama fina,

Varrida pelo pampeiro,

A liberdade reinava

E (…) somente campereava

O (…) campeiro.

VII

Em lugar de laçar bois

Para marcá-los depois,

Cóa marca quente a chiar

Ele pegava os pagãos

Para fazê-los cristãos

E o mesmo Deus adorar.

IX

Como Nóbrega e Anchieta

Com sua humilde roupeta

Trabalhava com ardor.

Nas fazendas a que chegava

Até a peonada gritava:

Lá vem vindo o Monsenhor.

X

No jornadear missionário,

Desse Padre Extraordinário,

Erriçado de perigos,

No rincão onde passava,

Era certo que deixava

Grande número de amigos.

XI

Um deles se destacava,

Era campeiro e morava

Na amplidão do campo vàgo

Meu avô Anibal Caetano,

Gaúcho sincero e lhano,

Um velho cerne do pago.

XII

Campeiro dos mais antigos

Que desafiara os perigos

Daquela região selvagem

Na alegria e na desgraça

O velho tronco da raça

Mostrava a mesma coragem.

XIII

Vinte anos são passados

Que áqueles pagos, banhados

Por um sol quente e brilhante

O pequenino povoado

Assistira alvorotado

A chegada de um viajante.

XIV

E hoje o povo todo chora,

Pois, o Padre foi embora,

Deixando a terra adorada

Que tanto tempo vibrara

Sob a palavra tão clara

Daquela pessoa honrada.

XV

Tais serviços não se paga

E hoje São Luiz Gonzaga

Se recôrda com saudade

Daquele apostolo santo

Que havia ajudado tanto

No progresso da cidade.

XVI

Por ele fui batizado

E hoje, disto lembrado,

A ele que não esqueço,

Como prova de afeição,

De amizade e gratidão,

Estes versos ofereço.

XVII

O onomástico, em Novembro

Se bem ao certo me lembro,

Ele vai comemorar.

E eu, antecipadamente,

Em nome da minha gente

O venho felicitar.

JAIME C. BRAUN

As trovas, acima, são do ginasiano São-Luizense, filho do Delegado Regional de Ensino, em Passo Fundo.

(…) Os trechos com o referido símbolo encontram-se ilegíveis, não sendo possível reproduzi-los.

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