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  • 21 de outubro de 2023

Queda do Império: Proclamação da República


Lauro Machado de Oliveira*

Foram vários os motivos que levaram à queda do Império do Brasil e à Proclamação da República. Pode-se dizer que a crise no Império se agravou no começo da década de 1870, final da Guerra do Paraguai, quando passamos a ter uma sociedade mais diversificada, marcada por movimentos e leis abolicionistas, questões religiosas e militares e, por fim, o movimento republicano.

Movimentação e diversificação da sociedade: O grande crescimento do
setor do café na região Sudeste teve como consequência um amplo salto na
economia e aumento populacional urbano no Rio de Janeiro e em São Paulo. Tudo isso ocorreu devido ao grande número de imigrantes europeus que chegaram ao Brasil, principalmente nas regiões Sudeste e Sul, buscando uma vida melhor.
Inicialmente os estrangeiros vieram para trabalhar nas fazendas de café, mas uma grande parte, insatisfeita com o tratamento recebido dos cafeicultores e, procurando vida mais tranquila e saudável, acabou mudando-se para as cidades onde se formou uma nova sociedade, e foi introduzida uma cultura totalmente diferente. Essa nova sociedade fez com que ocorresse desenvolvimento econômico local, com melhoria nos serviços urbanos tais como: água encanada, luz, calçamento e reformas nos espaços públicos, tornando as cidades mais prósperas e semelhantes aos grandes centros urbanos europeus. Com essa nova diversificação populacional, formada por profissionais liberais e pequenos comerciantes, criou-se uma classe média, que não possuía nenhum interesse no sistema escravagista, o que acabou formando importantes grupos republicanos.

Movimento e leis abolicionistas: Devido a pressões internacionais e à inviabilidade econômica interna, a escravidão entrou em decadência, a partir do ano de 1850, mas a luta dos abolicionistas se tornou mais forte na década de 1870, uma vez que estes perceberam que o Brasil se tornava mais fraco no cenário internacional e por ser o único país independente da América que ainda mantinha a mão de obra escrava. Provavelmente, por esses motivos e na tentativa de acalmar o cenário político, D. Pedro II promulgou a Lei do Ventre Livre, em 1871, o que tornava livres as crianças nascidas a partir daquela data, e a Lei dos Sexagenários, em 1885, libertando os escravos que possuíam mais de 60 anos.
Como, porém, eram poucos os cativos que duravam até essa idade, a lei se tornou inócua e sem muito valor para a causa abolicionista. O movimento abolicionista continuou a luta e teve um expressivo crescimento e isso tudo fez com que a Princesa Isabel assinasse a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, que permitiu acabar com a escravidão no Brasil. O fim do trabalho escravo teve repercussões na política e o regime que já se encontrava cambaleante perdeu o apoio de um poderoso setor, os cafeicultores paulistas, que dependiam da mão de obra escrava, permitindo mais ainda o avanço do movimento republicano.

A Questão Religiosa: Na Constituição de 1824 ficou estabelecido que o
catolicismo seria a religião oficial do Brasil, ficando confusa a relação do Estado com a Igreja, já que seguiram a prática do padroado que era utilizado em Portugal, onde o Estado nomeava e pagava os membros da hierarquia religiosa, dependendo apenas da confirmação de Roma. Como a religião oficial era a católica, ficou estabelecido que as pessoas que exerciam os mais altos cargos do governo tinham de ser católicas e o casamento religioso tinha validade civil. Em contrapartida, a Igreja ficava sob a tutela do governo, e as decisões tomadas pelo Vaticano tinham de ter o crivo do governo, o que criou confusões e atritos em vários pontos, vindo a gerar uma crise entre o Império e a Igreja, tensão conhecida como Questão
Religiosa. E, para piorar a situação, o Papa Pio IX decretou a Bula Syllabus
determinando que os maçons não eram bem-vindos nas missas e eventos católicos devido a suas posições ateístas e liberais, começando uma perseguição pela igreja.

Continua na próxima edição.

 

 

*Professor licenciado em História, é Especialista em Metodologia do Ensino de História e Geografia. É Vice-presidente do IHGSLG e integra o Grupo de Pesquisa do Centro de Documentação e Memória.

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