Saúde Mental: É necessário mais sobre Isso.

  • 26 de maio de 2023

É a cada dia mais frequente, o fato de as paredes do meu consultório junto com meus tímpanos ouvirem desabafos de mentes intranquilas. Que fique claro. Juntos, ouvidos e porcelanato, são somente confidentes. O que é dito ali, jamais é alardeado com nome, sobrenome e currículo a terceiros. São dissabores do dia a dia, misturados com sofrimento familiar. Agressões sociais verbais. Sentimentos de desvalia. Depressivas e ansiosas almas tentando um sopro de ar, em meio a um cérebro ofegante.

Dir-vos-ei apenas o que aprendi nestes anos de medicina. O que sei. E o que consigo compartilhar. Usarei estatísticas próprias, de maior relevância local. Garanto-vos:  indubitavelmente a maioria destes cidadãos sofre da “Síndrome do Sim Absoluto e Generalizado”.

Em tentativas empíricas de buscas em plataformas de pesquisa, caro leitor, vossas retinas não encontrarão jamais esta desordem. Sim. Fui eu mesmo quem a definiu. Neste periódico, agora semanal, que enfaticamente é lido por vós. Neste momento inclusive. A medicina ainda não conseguiu desmembrar em uma classificação distinta. Mas mesmo diluída em inúmeras outras desordens, ela existe e é protagonista de inúmeras “fichas”, agora já virtuais, que minha secretária armazena no arquivo do consultório.

O sim absoluto não é racionalizado. Dizer sim, sem refletir o seu propósito e sua repercussão é garantia de sofrimento. Em tom metafórico, imaginemos um magistrado perguntando ao réu sobre um crime que não cometera. Sim, ilustre juiz. Consequentemente dez, vinte, trinta anos de cárcere. Na vida real: a sua inteira extensão.

Dizer sim a todo momento é aprisionar-se. Mesmo que a consequência não seja instantânea. Ela um dia bate a porta. Como uma carta pelos correios de uma tia distante. Um cartão de Natal no dezembro cálido. Ou um oficial de justiça em tom embaraçoso.

Em Neuropediatria percebemos cada vez mais as consequências distantes que vos falo. Mentes pueris que nunca ouviram contrariedades, ao tom adolescente com dificuldades em desaprovações sociais. Frustrações interpretadas como fracassos definitivos. Desistências ao primeiro revés. Insucesso transitório lido como irrevogável. Depressões e isolamentos sociais em consequências a “Sins” excessivos na primeira e segunda infâncias.

Não nos enganemos aqui. Esta entidade está também presente no mundo adulto. E não é egoísmo algum raciocinar os desejos e aspirações próprias ante uma resposta qualitativa. O que precisamos entender é que em saúde mental, sofrimentos repetidos dão-se em grande parte das vezes por automáticas aceitações sem demandas de nossos reais planos e propósitos. Saber o que queremos para nossas existências é efetivamente uma pílula de sucesso.

Mesmo em deslumbrantes contextos, iluminados por tons dourados áureos, dizer absoluta e generalizadamente sim a tudo é aprisionar-se.

Gaiolas de ouro, também são gaiolas. Jaulas de prata também aprisionam. Cárceres de cobre também privam de liberdade.

“Não” é uma frase completa. Sem necessidade de sujeito, verbo e predicado.

E precisa ser dito.

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