Terrunho, o retrato sonoro de um espetáculo!

  • 9 de maio de 2024
O acordeonista são-luizense Ricardo Comassetto, Crédito: Edu Rickes

Um relato de Sérgio Carvalho Pereira*

 

A noite de 18 de abril de 2024 marcou um grande momento da arte sonora terrunha do Rio Grande do Sul. O auditório do Conservatório de Música da Universidade Federal de Pelotas recebeu lotação completa para conhecer o novo trabalho do acordeonista Ricardo Comassetto, natural de São Luiz Gonzaga.

O álbum Terrunho (segundo disco de Comassetto) é uma viagem musical pelos caminhos que percorre nestas terras o acordeon diatônico, a tão nossa gaita de botão. Assim, com um  recorrido sonoro profundamente Terrunho, o gaiteiro de São Luiz Gonzaga protagonizou uma noite única na cidade que é polo cultural no extremo sul do estado.

Estive esta noite, neste auditório, neste espetáculo. Senti um orgulho enorme e uma alegria imensa de ter sido testemunha de um grande momento musical. O recital impressionou-me de muitas maneiras, em tantos momentos: a atuação dos três instrumentistas, o repertório tão bem definido, a qualidade dos arranjos e sua execução irretocável, tudo me sensibilizou sobremaneira. Mas, entre tantas virtudes, quero aqui me aprofundar em uma delas que me emocionou e impactou-me profundamente: Marcou-me ouvir, no mesmo palco, no mesmo recital, arranjados com toda criatividade e executados com perfeita sincronia e genialidade, um tango (Libertango) do maestro bandoneonista  Astor Piazzola e uma vaneira crioula (Rincão dos Maciel) do mestre da gaita de botão Reduzino Malaquias.

O acordeonista são-luizense Ricardo Comassetto, Crédito: Edu Rickes

A apresentação destes dois temas, trabalhados com extrema qualidade e criatividade musical, aproximou no mesmo cenário, na mesma noite, músicos compositores que, em que pese suas diferenças de formação e de posição dentro da história musical do sul, representam, com toda sua genialidade criadora, a música do extremo meridional da América. Ouvir e ver no mesmo palco Reduzino e Piazolla traduzidos por Comassetto, Rodrigo Maia e Yuri Menezes em igualdade de cuidados interpretativos, tocou-me profundamente.  Para mim, foi um discurso sonoro que apresentou e justificou  todo o conceito do álbum de Comassetto. Mostrou o que é a música representativa de uma geografia física e humana e o que significa ser Terrunho em Pelotas, Buenos Aires, São Luiz, enfim, em todas as latitudes do Sul.

Acho que o Conservatório de Música da Ufpel, entidade com mais de um século de atividade e que já recebeu músicos como Miguel Proença, Bidú Sayão, Nelson Freire e Olinda Alessandrini, entre tantos, foi mais uma vez  testemunha de um grande momento musical, agora no campo da arte popular regional da nossa terra.

Termino agradecendo a Ricardo Comassetto e a seus acompanhantes na jornada  sonora desta noite: Yuri Menezes e Rodrigo Maia, a sua produtora e todos os envolvidos no projeto Terrunho, por terem possibilitado a mim e a um privilegiado público viver este momento único de plena arte no coração da terra de Simões Lopes Neto.

  • Sérgio Carvalho Pereira é fotógrafo, cirurgião dentista e poeta, tendo sido patrono da Feira do Livro da Universidade Federal do RS – FURG em 2022

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